sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A segunda geração do Romantismo

 A segunda geração do Romantismo

 A segunda Geração A segunda geração do Romantismo tem seus traços mais facilmente identificáveis no campo da poesia e seu marco inicial é dado pela publicação da poesia de Álvares de Azevedo, em 1853. Em vez do índio, da natureza e da pátria, ganham ênfase a angústia, o sofrimento, a dor existencial, o amor que oscila entre a sensualidade e a idealização, entre outros temas de grande carga subjetiva. Exemplares desse período são as obras de Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo.
 O início A publicação do livro Poesias, de Álvares de Azevedo, em 1853, é considerada por parte da crítica como marco inicial da segunda geração do Romantismo no Brasil. Essa geração, cujos maiores expoentes são Álvares de Azevedo, Fagundes Varela e Casimiro de Abreu, tem a marca do ultra-romantismo. A angústia, o sofrimento, a dor existencial, o amor que oscila entre a sensualidade e a idealização são alguns dos temas de grande carga subjetiva que tomam o lugar do índio, da natureza e da pátria, dominantes na geração anterior.
O Grande Inspirador Lord Byron Em meio a toda essa agitação existencial, que se tornou o paradigma do homem romântico que busca a liberdade, Byron escreveu uma obra grandiloquente e passional. Encantou o mundo inicialmente com seus poemas narrativos folhetinescos, em que não faltam elementos autobiográficos, como Childe Harold's Pilgrimage , e depois o assustou com a faceta satírica e satânica que apresenta em poemas como Don Juan . Foi um dos principais poetas ultra-românticos. O cinismo e o pessimismo de sua obra haveriam de criar, juntamente com sua mirabolante vida, uma legião de jovens poetas por todo o mundo, chegando até o Brasil na obra de grandes escritores, como Álvares de Azevedo.
A segunda geração do Romantismo brasileiro foi marcada pela pouca idade dos autores, sendo além de Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela. Os temas principais eram o ultra-romantismo (traços do Romantismo de primeira geração), o egótico (os autores fecham-se em seu próprio mundo, enxergando somente seu próprio mundo, suas dores e sentimentos, numa poesia fuga da realidade e de sonhos), o Byronismo (era um dos grandes ídolos, o autor inglês o Lorde Byron), o spleen (do Inglês, tédio, melancolia), o mal do século (nesse século a doença de tuberculose matava muitas pessoas, porém a morte era vista como fuga para os problemas da vida), a poesia de adolescentes (Muitos autores eram jovens, e boa parte morreram jovens, nisso os textos falavam de sonhos adolescentes, e a saudade da infância) e pro último a poesia de hospital (os textos eram melancólicos, como morte em frequência).
Nessa época a visão dos autores sobre o mundo vinha da Europa, como a frustração após a revolução da burguesia na Europa, mas como no Brasil não havia uma burguesia significante e concentra em certos pontos do país, além de não haver aqui nenhuma revolução burguesa não havia sentido essa frustração nos jovens escritores brasileiros.
Entre as características da segunda geração foram: o pessimismo (atitude de insatisfação da vida, tédio e melancolia); morbidez (a morte era vista como solução aos problemas); o satanismo (o demônios e o inferno apareciam com frequência, como continuação da dor vida na Terra); o Mistério (a preferência a lugares misteriosos, fúnebres, escuros etc).


2ª Geração
Ultra-Romântica ou Mal do Século
Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela
Características: Egocentrismo, sentimentalismo exagerado, morte, tristeza, solidão, tédio, melancolia, subjetivismo, idealização da mulher.

Álvares de Azevedo
Nasceu em São Paulo em 1831, com dezesseis anos recebeu o diploma de bacharel em Letras, na Faculdade de São Paulo, fundou a revista “Ensaio Filosófico”, dedicou-se na poesia romântica européia, influenciado principalmente pelo lorde Byron e do Satanismo. Era muito sonhador, boêmio e doentio. Morreu no Rio de Janeiro, após uma mal sucedida cirurgia para retirar tumores, com 21 anos ainda incompletos.
Sendo o principal representante da segunda geração do Romantismo do Brasil, porém este foi um título póstumo (morreu em 1851 e deu origem a segunda geração do romantismo com suas poesias em 1853). Tinha em seus textos figuras femininas, de mãe, irmã (a virgem irreal e idolatrada) e da prostituta. E outra característica vai para o cotidiano dos estudantes.
Em seus trabalho haviam imperfeições talvez pela sua imaturidade, mas há também grandes qualidades como a formalidade. Suas principais obras foram Macário, Noite de Taverna e o Poema do Frade.
Casimiro José Marques de Abreu
Nasceu em 1839 em São João da Barra ou Capiviri no Rio de Janeiro, tem o pai um rico comerciante e fazendeiro português, seguiu para Lisboa e lá começou sua carreira literária aos seus 17 anos trabalhando na impressa portuguesa. Regressa ao Brasil em 1859 e publica sua obra “As Primaveras”, que faz grande sucesso e logo após isso morre em Nova Friburgo ou Idaiaçu abas no Rio de Janeiro.
Sua obra é pequena e explora temas como a saudade da infância, amor á pátria\natureza, e temas adolescentes sobre tristeza. Suas poesias mais conhecidas foram Meus oito anos, Amor e Medo, e a Canção do Exílio.
Nasceu em 1832 em Salvador, teve um pai que era alcoólatra, tinha dúvidas e ilusões em sua vida. Em 1851 ingressou na ordem dos beneditinos, lugar onde tornou-se monge beneditino, também foi lá que arranjou inspiração para fazer suas obras, tendo como características: problemas sociais, religiosos e líricos. Tinha incertezas sobre a religião. Morreu de doença cardíaca em 1855, um ano após deixar sua obra “Inspirações do Claustro”.
Luís Nicolau Fagundes Varela
Nasceu em 1841 em Rio Claro (São Paulo) e morreu em Niterói-RJ em 1875, seus estudos de base foram irregulares, talvez pela instabilidade profissional de seu pai que era juiz de paz. Conhecido como o “poeta maldito”, cassou com uma artista de circo e com ela teve um filho que morreu aos três meses de idade. Foi para o Recife para continuar seus estudos, porém regressou a São Paulo após saber da morte da sua esposa, casou-se de novo e teve outros filhos, mas não deixou a vida boêmia e as bebedeiras.
Este poeta sofria influências de outros poetas como Gonçalves Dias (indianismo), Álvares de Azevedo (subjetivismo e byronismo) e Casimiro de Abreu (subjetivismo e byronismo), nisso ele perdia a originalidade, deu continuidade às obras inacabadas de outros autores.
Suas principais obras foram: Noturnas (1861), O estandarte de Auriverde (1863), Cantos religiosos (1878) e Diário de Lázaro (1880), suas obras marcaram a transição da segunda geração para a terceira geração do Romantismo do Brasil.




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Poemas CoNcReToS e CiNéTiCoS

Poemas CoNcReToS e CiNéTiCoS

Os poemas concretos ou cinéticos são aqueles criados não só para serem
      lidos, mas para serem vistos, como uma fotografia, uma pintura. Por 
        meio do trabalho com letras, palavras e seu significado, procuram
           transmitir, além de sentimentos e emoções, movimentos, cor, 
               forma, etc. O poema cinético dá a ideia de velocidade,  é  
                   um  futurismo literário. São usadas várias imagens 
                       poéticas na construção da poesia, usando a 
                              palavra como se ela fosse capaz de
                                 se l-o-c-o-m-o-v-e-r. Observe
                                         alguns  e busque 
                                             inspiração
                                                  para  
                                                  criar
                                                     o 
                                                     s 
                                                     e
                                                     u
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

COESÃO E COERÊNCIA

COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL

 Mas afinal, o que é isso?
Para que um texto tenha o seu sentido completo, ou seja, transmita a mensagem pretendida, é necessário que esteja coerente e coeso. Na construção de um texto, assim como na fala, usamos mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão do que é dito ou lido.
Em resumo, podemos dizer que a COESÃO trata da conexão harmoniosa entre as partes do texto, do parágrafo, da frase. Ela permite a ligação entre as palavras e frases, fazendo com que um dê sequência lógica ao outro. A COERÊNCIA é a relação lógica entre as ideias, fazendo com que umas complementem as outras, não se contradigam e formem um todo significativo que é o texto.
Quando falamos de COESÃO textual, falamos a respeito dos mecanismos linguísticos que permitem uma sequência lógico-semântica entre as partes de um texto, sejam elas palavras, frases, parágrafos, etc. Entre os elementos que garantem a coesão de um texto, temos:

Referências e  reiterações: este tipo de coesão acontece quando um termo faz referência a outro dentro do texto, quando reitera algo que já foi dito antes ou quando uma palavra é substituída por outra que possui com ela alguma relação semântica. Alguns destes termos só podem ser compreendidos mediante estas relações com outros termos do texto, como é o caso da anáfora e da catáfora.
Substituições lexicais: este tipo de coesão acontece quando um termo é substituído por outro dentro do texto, estabelecendo com ele uma relação de sinonímia, antonímia, hiponímia ou hiperonímia, ou mesmo quando há a repetição da mesma unidade lexical (mesma palavra).
Conectores: estes elementos coesivos estabelecem as relações de dependência e ligação entre os termos, ou seja, são conjunções, preposições e advérbios conectivos.
Correlação dos verbos (coesão temporal e aspectual): consiste na correta utilização dos tempos verbais, ordenando assim os acontecimentos de uma forma lógica e linear, que irá permitir a compreensão da sequência dos mesmos.
Quando falamos em COERÊNCIA textual, falamos acerca da significação do texto, e não mais dos elementos estruturais que o compõem. Um texto pode estar perfeitamente coeso, porém incoerente. É o caso do exemplo abaixo:
“As ruas estão molhadas porque não choveu”
Há elementos coesivos no texto acima, como a conjunção, a sequência lógica dos verbos, enfim, do ponto de vista da COESÃO, o texto não tem nenhum problema. Contudo, ao ler o que diz o texto, percebemos facilmente que há uma incoerência, pois se as ruas estão molhadas, é porque alguém molhou, ou a chuva, ou algum outro evento. Não ter chovido não é o motivo de as ruas estarem molhadas. O texto está incoerente.
Podemos entender melhor a coerência compreendendo os seus três princípios básicos:
Princípio da Não Contradição: em um texto não se pode ter situações ou ideias que se contradizem entre si, ou seja, que quebram a lógica.
Princípio da Não Tautologia: Tautologia é um vício de linguagem que consiste n a repetição de alguma ideia, utilizando palavras diferentes. Um texto coerente precisa transmitir alguma informação, mas quando hárepetição excessiva de palavras ou termos, o texto corre o risco de não conseguir transmitir a informação. Caso ele não construa uma informação ou mensagem completa, então ele será incoerente
Princípio da Relevância: Fragmentos de textos que falam de assuntos diferentes, e que não se relacionam entre si, acabam tornando o texto incoerente, mesmo que suas partes contenham certa coerência individual. Sendo assim, a representação de ideias ou fatos não relacionados entre si, fere o princípio da relevância, e trazem incoerência ao texto.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

FERNANDO PESSOA/BIOGRAFIA E OBRAS

FERNANDO PESSOA - BIOGRAFIA E OBRAS


Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um dos mais importantes escritores e poetas do modernismo em Portugal. Nasceu em 13 de junho de 1888 na cidade de Lisboa (Portugal) e morreu, na mesma cidade, em 30 de novembro de 1935.
 Biografia 
Fernando Pessoa foi morar, ainda na infância, na cidade de Durban (África do Sul), onde seu pai tornou-se cônsul. Neste país teve contato com a língua e literatura inglesa. 
Adulto, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor técnico, publicando seus primeiro poemas em inglês. 
Em 1905, retornou sozinho para Lisboa e, no ano seguinte, matriculou-se no Curso Superior de Letras. Porém, abandou o curso um ano depois. 
Pessoa passou a ter contato mais efetivo com a literatura portuguesa, principalmente Padre Antônio Vieira e Cesário Verde. Foi também influenciado pelos estudos filosóficos de Nietzsche e Schopenhauer. Recebeu também influências do simbolismo francês.
 Em 1912, começou suas atividade como ensaísta e crítico literário, na revista Águia. 
 A saúde do poeta português começou a apresentar complicações em 1935. Neste ano foi hospitalizado com cólica hepática, provavelmente causada pelo consumo excessivo de bebida alcoólica. Sua morte prematura, aos 47 anos, provavelmente aconteceu em função destes problemas, pois apresentou cirrose hepática.
 O ortônimo > Fernando Pessoa
Fernando Pessoa usou em suas obras diversas autorias. Usou seu próprio nome (ortônimo) para assinar várias obras e pseudônimos (heterônimos) para assinar outras. Os heterônimos de Fernando Pessoa tinham personalidade própria e características literárias diferenciadas.

 Obras de Fernando Pessoa
· Do Livro do Desassossego
· Ficções do interlúdio: para além do outro oceano
· Na Floresta do Alheamento
· O Banqueiro Anarquista
· O Marinheiro
· Por ele mesmo

Poesias de Fernando Pessoa
· A barca
· Aniversário
· Autopsicografia
· À Emissora Nacional
· Amei-te e por te amar...
· Antônio de Oliveira Salazar
· Autopsicografia
· Elegia na Sombra
· Isto
· Liberdade
· Mar português
· Mensagem
· Natal
· O Eu profundo e os outros Eus
· O cancioneiro
· O Menino da Sua Mãe
·       O pastor amoroso
· Poema Pial
· Poema em linha reta
· Poemas Traduzidos 
· Poemas de Ricardo Reis
· Poesias Inéditas 
· Poemas para Lili
· Poemas de álvaro de Campos
· Presságio
· Primeiro Fausto
· Quadras ao gosto popular
· Ser grande
· Solenemente
· Todas as cartas de amor...
· Vendaval

Prosas de Fernando Pessoa
· Pessoa e o Fado: Um Depoimento de 1929
· Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação
· Páginas de Estética e de Teoria e de Crítica Literárias

Obras do heterônimo Alberto Caeiro
· O Guardador de Rebanhos
· O guardador de rebanhos - 
· A Espantosa Realidade das Cousas
· Um Dia de Chuva
· Todos os Dias
· Poemas Completos
· Quando Eu não tinha
· Vai Alta no Céu a lua da Primavera
· O Amor é uma Companhia
· Eu Nunca Guardei Rebanhos
· O Meu Olhar
· Ao Entardecer
· Esta Tarde a Trovoada Caiu
· Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada
· Pensar em Deus
· Da Minha Aldeia
· Num Meio-Dia de Fim de Primavera
· Sou um Guardador de Rebanhos
· Olá, Guardador de Rebanhos
· Aquela Senhora tem um Piano
· Os Pastores de Virgílio
· Não me Importo com as Rimas
· As Quatro Canções
· Quem me Dera
· No meu Prato
· Quem me Dera que eu Fosse o Pó da Estrada
· O Luar
· O Tejo é mais Belo
· Se Eu Pudesse
· Num Dia de Verão
· O que Nós Vemos
· As Bolas de Sabão
· às Vezes
· Só a Natureza é Divina
· Li Hoje
· Nem Sempre Sou Igual
· Se Quiserem que Eu Tenha um Misticismo
· Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem
· Ontem à Tarde
· Pobres das Flores
· Acho tão Natural que não se Pense
· Há Poetas que são Artistas
· Como um Grande Borrão
· Bendito seja o Mesmo Sol
· O Mistério das Cousas
· Passa uma Borboleta
· No Entardecer
· Passou a Diligência
· Antes o Voo da Ave
· Acordo de Noite
· Um Renque de árvores
· Deste Modo ou Daquele Modo 
Obras do heterônimo Álvaro de Campos 
· Acaso
· Acordar
· Adiamento
· Afinal
· A Fernando Pessoa
· A Frescura
· Ah, Onde Estou
· Ah, Perante
· Ah, Um Soneto
· Ali Não Havia
· Aniversário
· Ao Volante
· Apostila
· às Vezes
· Barrow-on-Furness
· Bicarbonato de Soda
· O Binômio de Newton
· A Casa Branca Nau Preta
· Chega Através
· Cartas de amor 
· Clearly Non-Campos!
· Começa a Haver
· Começo a conhecer-me. Não existo
· Conclusão a sucata !... Fiz o cálculo
· Contudo
· Cruz na Porta
· Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
· Datilografia
· Dela Musique
· Demogorgon
· Depus a Máscara
· Desfraldando ao conjunto fictício dos céus estrelados
· O Descalabro
· Dobrada à morda do Porto
· Dois Excertos de Odes
· Domingo Irei
· Escrito Num Livro Abandonado em Viagem
· Há mais
· Insônia
· O Esplendor
· Esta Velha
· Estou
· Estou Cansado
· Eu
· Faróis
· Gazetilha
· Gostava
· Grandes
· Há Mais
· Lá chegam todos, lá chegam todos... 
· Lisboa
· O Florir
· O Frio Especial
· Lisbon Revisited - l923
· Lisbon Revisited - 1926
· Magnificat
· Marinetti Acadêmico
· Mas Eu
· Mestre
· Na Casa Defronte
· Na Noite Terrivel
· Na Véspera
· Não Estou
· Não, Não é cansaço
· Não: devagar
· Nas Praças
· Psiquetipia (ou Psicotipia)
· Soneto já antigo
· The Times 

Obras do heterônimo Ricardo Reis
· A Abelha
· A Cada Qual
· Acima da verdade
· A flor que és
· Aguardo
· Aqui
· Aqui, dizeis
· Aqui, neste misérrimo desterro
· Ao Longe
· Aos Deuses
· Antes de Nós
· Anjos ou Deuses
· A palidez do dia
· Atrás não torna
· A Nada Imploram
· As Rosas
· Azuis os Montes
· Bocas Roxas
· Breve o Dia
· Cada Coisa
· Cada dia sem gozo não foi teu
· Cancioneiro 
· Como
· Coroai-me
· Cuidas, índio
· Da Lâmpada
· Da Nossa Semelhança
· De Apolo
· De Novo Traz
· Deixemos, Lídia
· Dia Após Dia
· Do que Quero
· Do Ritual do Grau de Mestre do átrio na Ordem Templária de Portugal
· Domina ou Cala
· Eros e Psique 
· Estás só. Ninguém o sabe
· Este seu escasso campo
· é tão suave
· Feliz Aquele
· Felizes
· Flores
· Frutos
· Gozo Sonhado
· Inglória
· Já Sobre a Fronte
· Lenta, Descansa
· Lídia
· Melhor Destino
· Mestre
· Meu Gesto
· Nada Fica
· Não a Ti, Cristo, odeio ou te não quero
· Cristo Não a Ti, Cristo, odeio ou menosprezo
· Não Canto
· Não Consentem
· Não queiras
· Não quero, Cloe, teu amor, que oprime
· Não quero recordar nem conhecer-me
· Não Só Vinho
· Não só quem nos odeia ou nos inveja
· Não sei de quem recordo meu passado
· Não Sei se é Amor que TenS
· Não Tenhas
· Nem da Erva
· Negue-me
· Ninguém a Outro Ama
· Ninguém, na vasta selva virgem
· No Breve Número
· No Ciclo Eterno
· No Magno Dia
· No mundo, Só comigo, me deixaram
· Nos Altos Ramos
· Nunca
· Ouvi contar que outrora
· Olho
· O que Sentimos
· Os Deuses e os Messias
· O Deus Pã
· Os Deuses
· O Ritmo Antigo
· O Mar Jaz
· O Sono é Bom
· O Rastro Breve
· Para os Deuses
· Para ser grande, sê inteiro: nada
· Pesa o Decreto
· Ponho na Altiva
· Pois que nada que dure, ou que, durando
· Prazer
· Prefiro Rosas
· Quanta Tristeza
· Quando, Lídia
· Quanto faças, supremamente faze
· Quem diz ao dia, dura! e à treva, acaba!
· Quer Pouco
· Quero dos Deuses
· Quero Ignorado
· Rasteja Mole
· Sábio
· Saudoso
· Segue o teu destino
· Se Recordo
· Severo Narro
· Sereno Aguarda
· Seguro Assento
· Sim
· Só o Ter
· Só Esta Liberdade
· Sofro, Lídia
· Solene Passa
· Se a Cada Coisa
· Sob a leve tutela
· Súbdito Inútil
· Tão cedo passa tudo quanto passa!
· Tão Cedo
· Tênue
· Temo, Lídia
· Tirem-me os Deuses
· Tudo que Cessa
· Tuas, Não Minhas
· Uma Após Uma
· Uns
· Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio
· Vivem em nós inúmeros
· Vive sem Horas
· Vossa Formosa  

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Abordagem I 
                    (Texto do Professor José de Nicola)

"A língua já foi  comparada a "um dicionário, cujos exemplares, idênticos, são distribuídos entre os indivíduos" e a fala seria o uso que cada indivíduo faz da língua. 

Ou seja, ao realizar um ato de comunicação verbal, o indivíduo escolhe, seleciona as palavras, para depois organizá-las, combiná-las, conforme a sua vontade.  

E todo esse trabalho de seleção e combinação não é aleatório, não é realizado por acaso, mas está intimamente ligado à intenção do emissor.  Assim sendo, a linguagem passa a ter funções.

Veremos, a seguir, as seis funções básicas da linguagem.  Entretanto, como afirma o linguista Roman Jakobson, 

“Dificilmente lograríamos encontrar mensagens verbais que preenchessem uma única função. A diversidade reside não no monopólio de alguma dessas diversas funções, mas numa diferente ordem hierárquica de funções. A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente da função predominante".

Isto é, em uma mesma mensagem verbal podemos reconhecer sempre mais de uma função.  Por outro lado, em toda mensagem prevalece uma das seis funções.

a) Função referencial 
A mais comum das funções da linguagem; voltada para a informação, para o próprio contexto.  A intenção é transmitir ao receptor dados da realidade de uma forma direta e objetiva, com palavras empregadas em seu sentido denotativo.  

Quando isso ocorre, fica caracterizada a função referencial ou denotativa.  Referencial é relativo ao referente (no caso, à própria informação).


b) Função conativa 

   É a mensagem centrada no destinatário.  Ocorre quando a intenção do emissor é influenciar o destinatário, quando a mensagem está centrada no destinatário em forma de ordem, apelo ou súplica, temos a função apelativa ou conativa da linguagem.  

Os verbos no imperativo, o uso de vocativos e a segunda pessoa (tu/vós, você/vocês) são marcas gramaticais da função conativa.

Os anúncios publicitários e os comícios políticos às vésperas de eleição empregam uma linguagem em que predomina a função apelativa ou conativa (conativo significa "relativo ao processo da ação intencional sobre outra pessoa").


c) Função fática
É o canal aberto destinatário, prolongando uma comunicação ou então testando o canal de comunicação com frases do tipo: 
Veja bem...
Olha...
Compreende?

Essa preocupação com o contato caracteriza a função fática da linguagem.
Toda conversa ao telefone é pontuada por expressões do tipo: 
Está me ouvindo?
Sim... sei...
Hum... hum...

transformando-se em bom exemplo do emprego da função fática.  Veja mais dois exemplos: 
- Olá, tudo bem?
- Tudo bem. E você?
- Tudo bem... levando... levando...
- É... levando...
- Falou...
- É isso aí...


d) Função metalinguística
     É o diálogo entre palavras.
Neste caso, a preocupação do emissor está voltada para o próprio código utilizado, ou seja, o código é o tema da mensagem ou é utilizado para explicar o próprio código.
Ocorre, então, a função metalinguística ou metalinguagem - quando se dá uma definição ou quando se explica ou se pede explicação sobre o conteúdo da mensagem.  

Por extensão, fala-se em metalinguagem quando um filme tem por tema o próprio cinema, uma peça teatral tem por tema o teatro, uma poesia discorre sobre o próprio ato de escrever etc.  Ex.:

Pequena tragédia brasileira
A Bem-Amada queria devorar o coração do Poeta.
- Não - disse ele -, só terás um pedacinho...
Porque noventa por cento pertence aos Editores.
                                                      (Mário Quintana)

Esse texto é metalinguístico por duas razões: o poeta fala do próprio poeta; o poeta utiliza o canal (livro) para comentar o próprio canal (a relação econômica com os editores: o poeta recebe apenas 10% de direitos autorais sobre cada livro vendido).


e) Função emotiva
      É o texto em primeira pessoa. Quando a intenção do emissor é posicionar-se em relação ao tema que está abordando, é expressar seus sentimentos e emoções, sempre resulta um texto subjetivo, escrito em primeira pessoa. 

      Dessa forma, o texto transforma-se num espelho do ânimo, das emoções, do estado, enfim, do emissor. 
    Nesse caso, temos a função emotiva ou expressiva da linguagem.  
    A interjeição é, ao lado da primeira pessoa do singular e de alguns sinais de pontuação (reticências, ponto de exclamação), indicador seguro da função emotiva da linguagem, como no texto que segue: 

Preciso aprender a ser só
Ah! Se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor, eu não posso viver
Que sem nós dois, o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou
Ah! O amor
Quando é demais, ao findar leva a paz
Me entreguei, sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê...
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses teus olhos que foram tão meus
Por Deus entenda
Que assim eu não vivo
Eu morro pensando
No nosso amor
(Marcos Vale & Paulo Sérgio Vale)

    O texto, apesar de dialogar com uma segunda pessoa - tu, a pessoa amada ausente -, está todo centrado no emissor - eu. 

    Observe que é só aparente a tentativa de interferir no comportamento do outro ("Se eu te pudesse fazer entender"); na verdade, todas as falas do emissor refletem seu estado emocional, sua falta de condições para equacionar o problema da solidão:
Que sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só...

      A segunda estrofe sugere uma mudança de foco ao mencionar o amor (o referencial), mas essa mudança é apenas aparente; logo o emissor volta a falar das consequências sofridas por ele com o findar do amor.  
    Fica caracterizado o predomínio da função emotiva da linguagem, embora tenhamos também a função poética (a especial organização da mensagem).


f) Função poética 
     Quando a intenção do emissor está voltada para a própria mensagem, quer na sua estrutura, quer na seleção e combinação das palavras, ocorre a função poética: como afirma Roman Jakobson, a função poética "coloca em evidência o lado palpável, material dos signos".

      Ao selecionar e combinar de maneira particular e especial as palavras, o poeta procura obter alguns elementos fundamentais da linguagem poética:
• o ritmo;
• a sonoridade;
• o belo e o inusitado das imagens.

      Evidentemente, num texto poético você poderá encontrar também as demais funções da linguagem.  Mas o valor da poesia reside exatamente no trabalho realizado com a própria mensagem.
      Importante é perceber que a função poética não é exclusiva da poesia; você poderá encontrá-la em textos escritos em prosa, em anúncios publicitários e mesmo na linguagem cotidiana.  Nesses casos, ela não será a função dominante.

    Observe como nossa tendência é sempre falar"amizade luso-brasileira" e nunca "amizade brasileiro-lusa".  
      Da mesma forma, ao enunciarmos uma sequência aleatória de nomes, a tendência será pronunciar os nomes mais curtos antes dos mais longos: como nos ensina Jakobson, diremos "Joana e Margarida" e nunca "Margarida e Joana".  E qual a explicação?  Simplesmente porque "soa melhor".


                               Conclusão
  Agora que você conhece as seis funções da linguagem, vamos retomar os elementos da comunicação e seu esquema para relacioná-los a essas funções.  Citando Jakobson:
“A linguagem deve ser estudada em toda a variedade de suas funções. Para se ter uma ideia geral dessas funções, é mister uma perspectiva sumária dos fatores constitutivos.”

     Para ser eficaz, a mensagem requer um contexto a que se refere, apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização, um código total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em outras palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente, um contato, um canal físico e uma conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que capacite a ambos entrarem e permanecerem em comunicação. 

       Esquema:
       contexto
       mensagem
       remetente
       destinatário
       contato
       código


    Cada um desses seis fatores determina uma diferente função da linguagem.”
(Roman Jakobson, Linguística e comunicação)

 Mais adiante, ele monta um esquema correspondente às funções da linguagem:
      referencial
      poética
      emotiva        
      conativa
      fática
      metalinguística


    Finalmente, para obter uma visão geral e completa dos fatores fundamentais da comunicação e de suas relações com as funções da linguagem, podemos fazer uma superposição dos dois esquemas:


                  CONTEXTO
             (função referencial)

      CANAL DE COMUNICAÇÃO
              (função fática)

                  EMISSOR
             (função conativa)

                 RECEPTOR
             (função emotiva)

                MENSAGEM
              (função poética)

                  CÓDIGO
        (função metalinguística)

   O esquema acima reúne os elementos da comunicação e as respectivas funções da linguagem.  Estas indicam o elemento da comunicação que predomina em cada mensagem."

     Do livro "Língua, Literatura & Redação"
                   (volume 3), de José de Nicola.


       

                                                                        
                           Abordagem II
        (Autor Desconhecido - agradeço informações sobre a autoria)
                  
                         "Funções da Linguagem
       Eis as seis funções e suas peculiaridades:

1 - Referencial ou denotativa - Usada para expressar a realidade, o fato externo, a informação. Ela põe em evidência o referente, ou seja, o assunto ao qual mensagem se refere.  Ex.: o noticiário  do jornal, da TV.
 
 
2 - Conativa(1) ou apelativa - Usada para dar conselhos, avisos, ordens ou pedidos:
      Cuidado!
      É proibido fumar!
      Vem cá, menino!
      Ajude-me!
 
 
3 - Emotiva ou expressiva - Serve para expressar atitudes e emoções. Reflete o estado de ânimo do emissor, seus sentimentos e emoções.
 
 
4 - Fática(2) - Esta função serve para manter o diálogo, mesmo sem transmitir mensagens precisas. Não comunica nada, mas mantém aberto o canal de comunicação entre o emissor e o receptor:
      E aí, tudo bem?
      Alô, está me ouvindo?
 
 
5 - Poética - Usamos esta linguagem para produzir efeitos artísticos. A mensagem, elaborada, trabalhada artisticamente, visa a encantar quem a ouve ou lê.

 Ex.: uma peça teatral, um poema...
 
 6 - Metalinguística


(3) - Utilizamos esta linguagem para explicar o significado de outra linguagem. Ela possibilita a um código se referir a ele mesmo, explicando-se.É a palavra comentando a palavra.
  Exemplos:
a) Frase é qualquer enunciado
(4) linguístico com sentido completo.
(Note que, para darmos a definição de frase, empregamos uma frase. O código utilizado foi a língua portuguesa).
b) O português é uma das línguas mais difíceis do mundo.
(Para falar das dificuldades da língua, usamos o próprio idioma).
 
 
       Referências:

(1) Conativa: vem de 'conação", que quer dizer intenção ou atitude dirigida, objetivando direcionar ou disciplinar comportamentos.
A linguagem conativa, muito usada em cartazes ou comerciais publicitários, procura influenciar as pessoas, levando-as fazer ou deixar de fazer algo:
a) fazer: 'Compre hoje e pague a primeira prestação só daqui a três meses!'
'Doe sangue. Seja bom. Salve vidas.'
b) não fazer: 'Não suje a cidade. Embale seu lixo.'
'Não anule o seu voto. Ele pode mudar o Brasil!'
 
(2) A palavra 'fática' deriva do verbo latino fari, que quer dizer 'falar'.
 
(3) Palavra que exprime 'além da linguagem'.
 
(4) Enunciado significa expressão,  declaração, exposição."

                       
                                 
                          Abordagem III

            ( agradeço informações sobre a autoria, na internet)

"Todo emissor, no momento em que realiza um ato de fala, consciente ou inconscientemente, atribui maior importância a um dos seis elementos da comunicação.
Com base nessa preferência, distinguem-se seis funções da linguagem:

a) Função Emotiva, Expressiva ou de Exteriorização Psíquica:
O emissor atribui maior valor a si mesmo, através do uso predominante de:
• primeira pessoa verbal:
Quando estive em sua casa, convivi com sua ausência.
Nunca pensamos em tudo.

• exclamações:
Que maravilha!

• interjeições:
Ai! esqueci tudo em casa.

 
b) Função Conativa ou Apelativa
Demonstra a preocupação do emissor com o receptor, o que se manifesta no predomínio de:
• Receptor em função de sujeito:
Vossa Senhoria não me deferiu o pedido.
Toda dia, você me repete a mesma ladainha.
Esqueceste o favor que te pedi?

• Vocativos:
Por favor, Mariana, não me desaponte.
Obrigada, Maria.

• Imperativos:
Se quiseres ser aprovado, estuda.
Pare, olhe e siga.

A linguagem da propaganda é fundamentalmente conativa.

 
c) Função Referencial, Informativa ou Cognitiva
Sobressai a importância que o emissor dedica ao Referente e se manifesta no uso predominante de sujeitos de terceira pessoa:
Tatiana não desapontou a mim, nem a você.
Sua Excelência, o Senhor Presidente, telefonou para você e para mim.

A função referencial predomina na exposição científica, nos livros didáticos, na linguagem jornalística e em outros.
 

d) Função Fática

Há momentos na comunicação, em que o emissor demonstra querer chamar a atenção do receptor, desligá-la, ou mesmo testá-la. Predomina a preocupação do emissor com o canal, com a atenção.
• Testando o canal:
Alô, alô, você está me ouvindo?

• Procurando colocar o canal em funcionamento:
Ei!  Você aí.  Psiu.

• Tentando desviar o canal:
Lúcio: - Rita, você se casaria comigo?
Rita: - Estou precisando dormir...

Inúmeras fórmulas de cumprimento, com o tempo, foram perdendo sua comunicabilidade e tiveram seus significados esvaziados, tornando-se apenas fáticas.
Quando se diz "Bom dia", ninguém está mais pensando em desejar um dia agradável a seu receptor.
É comum dois conhecidos encontrarem-se, trocarem saudações:

- Como vai?
- Bem obrigado. E você?
- Tudo bem...
e despedirem-se sem mesmo perceberem o que falaram.
Também representam a função fática as expressões estereotipadas como "né", "viu?", "entende"? e outras semelhantes.
Logo, conclui-se que o referente da função fática é a própria comunicação.


 

e) Função Metalinguística

Tem maior importância a atenção que o emissor dirige ao código ou língua. É a linguagem voltada sobre si mesma, é a mensagem que tem como referente a própria linguagem.
• O emissor pode indagar a respeito do código:
"O que significa estultícia?"

• O emissor pode afirmar a respeito do código:
"Estultícia significa tolice, imbecilidade..."

Todo processo de aprendizagem de uma língua está baseado na função metalinguística, como também são metalinguagem as definições de um dicionário, os conceitos de uma gramática, uma crítica literária, uma análise de texto e outros.

 

f) Função Poética ou Estética

A atenção do emissor está fixada, fundamentalmente, na busca de melhor elaboração da mensagem. Escrever uma frase e riscá-la para substituir por outra de mesmo sentido só porque é mais eufônica, caracteriza justamente a procura do poético linguístico. Quando os pais estão discutindo se darão à filha o nome de Maria Ana ou Ana Maria, estão exatamente buscando o estético, o mais sonoro, o de melhor ritmo, e essa preocupação é poética."