sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O PAÍS SOFRE COM DOENÇAS CRÔNICAS


11 de dezembro de 2014 | N° 18010
SAÚDE ÍNDICES PREOCUPANTES ( BLOG ENTRELAÇOS)

O PAÍS SOFRE COM DOENÇAS CRÔNICAS

PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE mostra a relação dos brasileiros com o corpo e revela as mazelas de cada região do país. Levantamento feito pelo IBGE mostra que quase metade da população gaúcha sofre de alguma enfermidade.
Os brasileiros estão fumando menos, mas hábitos de vida como dieta desregrada e falta de exercícios físicos continuam causando alto índice de doenças crônicas no país, como hipertensão arterial, diabetes e depressão. Só no Rio Grande do Sul, quase metade da população sofre com alguma delas.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), um levantamento inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, apesar de o tabagismo ter diminuído em 20,5%, as doenças crônicas são o grande problema de saúde do país. A região Sul obteve os maiores índices de doenças crônicas, com 47,7%. Em números absolutos, isso significa 10,3 milhões de habitantes.

O Sul é o campeão também no ranking da depressão – 12,6% da população brasileira – e casos de câncer em pessoas com mais de 18 anos – 3,2% da população. De acordo com o IBGE, os números são expressivos comparados a outras regiões do país, mas não indicam que o Sul tenha mais casos. Isso porque nem todos têm acesso a profissionais da saúde de maneira igual, e muitos podem não ter entrado nas estatísticas, segundo o instituto.

Alessandra Scalioni Britto, técnica do IBGE que participou do levantamento, alerta para o fato de que as informações devem balizar novas políticas públicas, principalmente na área de prevenção:

– É importante não olhar apenas para os dados das doenças, mas para o potencial que a pesquisa apresenta de criar novos hábitos. O foco deveria ser principalmente na restrição ao uso de álcool e tabaco, e no incentivo a atividades físicas – diz Alessandra.

Médico do Instituto do Câncer Mãe de Deus, Stephen Stefani aposta na consistência da pesquisa, mas alerta para a diferença que existe entre incidência (casos novos) e prevalência (casos existentes). O que faz com que doenças crônicas sejam tão mencionadas, segundo ele, é que as doenças de alta letalidade não são notificadas por motivos evidentes: as pessoas morrem antes de participar do levantamento.

O oncologista aponta que, se não houver mudança nestes números, o Brasil irá pagar um preço elevado nos próximos anos:

– Espera-se que medidas mais assertivas para a prevenção sejam adotadas, com criatividade e resultados mensuráveis. Pouco mais da metade dos fumantes cogitou parar de fumar devido ao anúncio na carteira de cigarro. É pouco efetivo. Tem mérito, mas é inequivocamente insuficiente – diz o médico.

lara.ely@zerohora.com.br

SUFOCO DE MILHARES

-Quase 50% da população adulta do Rio Grande do Sul, o equivalente a 4,17 milhões de pessoas, possui pelo menos uma doença crônica não transmissível.
-No Brasil, o índice atinge cerca de 40% da população, o equivalente a 57,4 milhões de pessoas.
-No Estado, essas enfermidades atingem principalmente o sexo feminino (55,4%) – são 2,5 milhões de mulheres e 1,6 milhão de homens (41,7%) portadores de enfermidades crônicas.
- As doenças crônicas são responsáveis por mais de 72% das causas de morte no Brasil.

- Hipertensão arterial, diabetes, doença crônica de coluna, colesterol e a depressão são as mais comuns.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ambiguidade ou anfibologia

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O que é Ambiguidade:

Ambiguidade é a qualidade ou estado do que é ambíguo, ou seja, aquilo que pode ter mais de um sentido ou significado. É aquilo que apresenta indecisão, hesitação, imprecisão, incerteza, indeterminação.
Algumas palavras possuem mais de um sentido, possuem ambiguidade.
 Ex.: "Companhia" (de uma pessoa ou uma empresa). "Banco" (casa bancária ou banco de sentar).
O fato de uma palavra ter muitas significações é também chamado de polissemia: a palavra “vela” pode fazer referência à vela de barco, vela de cera que serve para iluminar, ou pode ser a conjugação do verbo velar, que significa estar vigilante.
 Ex.: “Pedro disse ao amigo que havia chegado”. (Quem havia chegado? Pedro ou o amigo?)
 Ex.: “Não sei se gosto do frio ou do calor”. “Não sei se vou ou fico”.

Ambiguidade ou anfibologia

Na gramática, ambiguidade ou anfibologia é todo duplo sentido causado pela má construção da frase. A função da ambiguidade é sugerir significados diversos para uma mesma mensagem. É uma figura de palavra e de construção.
Embora funcione como recurso estilístico, a ambiguidade também pode ser um vício de linguagem, que decorre da má colocação da palavra na frase. Nesse caso compromete o significado da frase.
Exemplos:
  1. Maria comeu um doce e sua irmã também. (Maria comeu um doce, e sua mãe também).
  2. Mataram o porco do meu avô. (Mataram o porco que era do meu avô).
  3. O guarda deteve o suspeito em sua casa. (Na casa de quem: do guarda ou do suspeito?)

Figuras de Linguagem

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O que são Figuras de Linguagem:

As figuras de linguagem podem ser subdivididas em figuras de palavrasfiguras de pensamento e figuras de construção.

As figuras de linguagem são recursos usados na fala ou na escrita para tornar mais expressiva a mensagem transmitida.
É muito importante saber identificar as diversas figuras de linguagem, porque desta forma é possível compreender melhor diferentes textos.
Compreender e saber usar figuras de estilo nos capacita a usar de forma mais eficaz a linguagem como fenômeno social e nos ajuda a vislumbrar o simbolismo de algumas conversas e obras escritas.

Figuras de Palavras

Catacrese: emprego de uma palavra no sentido figurado por não haver um termo próprio. Ex.: a perna dos óculos.
Metáfora: estabelece uma relação de semelhança ao usar um termo com significado diferente do habitual. Ex.: A menina é uma flor.
Comparação: parecida com a metáfora, a comparação é uma figura de linguagem usada para qualificar 1 característica parecida entre dois ou mais elementos. No entanto, no caso da comparação, existe uma palavra de conexão (como, parecia, tal, qual, assim, etc).

 Ex: "O olhar dela é como a lua, brilha maravilhosamente.".
Metonímia: substituição lógica de uma palavra por outra semelhante. 

Ex.: Beber um copo de vinho.
Onomatopeia: imitação de um som.

 Ex.: trrrimmmmm (telefone)
Perífrase: uso de uma palavra ou expressão para designar algo ou alguém.

 Ex.: Cidade Luz (Paris)
Sinestesia: mistura de diferentes impressões sensoriais.

 Ex.: o doce som da flauta

Figuras de Pensamento

Antítese: palavras de sentidos opostos.
 Ex.: bom/mau
Paradoxo: referente a duas idéias contraditórias em uma só frase ou pensamento.

 Ex: "Ainda me lembro daquele silêncio ensurdecedor."
Eufemismo: intenção de suavizar um fato ou atitude. 

Ex.: Foi para o céu (morreu)
Hipérbole: exagero intencional.

 Ex.: morto de sono
Ironia: afirmação contrária daquilo que se pensa.

 Ex.: É um santo! (para alguém com mau comportamento)
Prosopopeia ou Personificação: atribuição de predicativos próprios de seres animados a seres inanimados.

 Ex.: O sol está tímido.

Figuras de Construção

Aliteração: repetição de um determinado som nos versos ou frases.
 Ex: o rato roeu a roupa...
Anacoluto: alteração da construção normal da frase.

 Ex.: O homem, não sei o que pretendia.
Anáfora: repetição intencional de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido. 

Ex.: “Noite-montanha. Noite vazia. Noite indecisa. Confusa noite. Noite à procura, mesmo sem alvo.” (Carlos Drummond de Andrade)
Elipse: omissão de um termo que pode ser identificado facilmente.

 Ex.: no trânsito, carros e mais carros. (há)
Pleonasmo: repetição de um termo, redundância.

 Ex.: subir para cima
Polissíndeto: repetição da conjunção entre os termos da oração. 

Ex.: “nem o céu, nem o mar, nem o brilho das estrelas”
Zeugma: omissão de um termo já expresso anteriormente. 

Ex: Ele gosta de Inglês; eu, (gosto) de Alemão.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

TABELA DA UOL REFORMA ORTOGRÁFICA


Novo Acordo Ortográfico em 2009

O português é o quinto idioma mais falado mundo - mais de 260 milhões de pessoas utilizam como língua principal para se comunicarem. Entre os países que o tem como idioma oficial, citamos o Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial.

Em 1990 foi criado o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que tem por objetivo padronizar a escrita de algumas palavras em todos os países que o utilizam oficialmente. O Brasil aderiu ao acordo em 2009.

No Brasil, o idioma é regulado pela Academia Brasileira de Letras.

Gramática da Língua Portuguesa

Morfologia

A morfologia é o estudo da palavra isoladamente, não dentro de uma frase.
Leia também: Classes Gramaticais.

Sintaxe

A sintaxe é a parte da gramática responsável pelo estudo das funções dos vocábulos em uma frase ou período.

Figuras de Linguagem

As figuras de linguagem são classificadas em:

Figuras de Palavras / Figuras de Pensamento

Figuras de Construção ou Sintáticas

Acordo Ortográfico

Acordo Ortográfico Descomplicado

Ortografia

Formação de Palavras

Outros Artigos


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

BARROCO

 PERÍODOS DA LITERATURA - BARROCO

O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.


Barroco Europeu pintura

No início do século XVII, o Classicismo já estava perdendo a força. Depois de dominar por um século o palco da literatura ocidental, o Classicismo esgotou as renovações trazidos do Renascimento e pouco a pouco foi deixando de ser centro dos acontecimentos culturais. Surgiu, então, o Barroco.

O barroco na arte marcou um momento de crise espiritual da sociedade européia. O homem do século XVII era um homem dividido entre duas mentalidades, duas formas de ver o mundo.

O Barroco é fruto da síntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o homem do século XVII era um ser contraditório, tanto que ele se expressou usando a arte.

Em Portugal, o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano.

O Seiscentismo se estenderá até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana.

No Brasil, o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico prosopopeia, a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós, da autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira. O final do Barroco brasileiro só concretizou em 1768, com a publicação das Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa.

Profeta Daniel
Obra de Aleijadinho
em pedra-sabão

No entanto, como o Barroco no Brasil só foi mesmo reconhecido e praticado em seu final (entre 1720 e 1750), quando foram fundadas várias academias literárias, desenvolveu-se uma espécie de Barroco tardio nas artes plásticas, o que resultou na construção de igrejas de estilo barroco durante o século XVIII.

O Barroco no Brasil foi um estilo literário que durou do século XVII ao começo do século XVIII, marcado pelo uso de antíteses e paradoxos que expressavam a visão do mudo barroco numa época de transição entre o teocentrismo e o antropocentrismo.

Momento Histórico

Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta, a agricultura lusa era abandonada. Com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. Paralelamente, Portugal vive uma crise dinástica: em 1578 D. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos depois, Felipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica.

A perda da autonomia e o desaparecimento de D. Sebastião originam em Portugal o mito de Sebastianismo (crença segundo qual D. Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Antônio Vieira, que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra.

A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio no campo científico-cultural. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico, com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon, Galileu, Kepler e Newton.



Com o Concílio de Trento (1545-1563), o Cristianismo se divide. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero – introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico", o racionalismo clássico, a liberdade de expressão e pensamento. De outro, os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita, marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval.

O quadro brasileiro se completa, no século XVII, com a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar.


Características


O culto da forma manifesta-se tanto na literatura quanto nas artes plásticas do Barroco. Neste detalhe de um grupo de esculturas de Aleijadinho que representa a Última Ceia, não há lugar para a expressão serena das imagens religiosas; os apóstolos revelam intensa agitação, traduzida nos gestos e olhares que trocam a respeito do que acabaram de ouvir de Cristo.

Algumas características da linguagem barroca merecem especial atenção pela sua peculiaridade e pelo uso que sendo feito de algumas delas em escolas posteriores.

Arte da Contra-Reforma: a ideologia do Barroco é fornecida pela Contra-Reforma. A arte deve ter como objetivo a fém católica.

Conflito espiritual: O homem barroco sente-se dilacerado e angustiado diante da alteração dos valores, dividindo-se entre o mundo espiritual e o mundo material. As figuras que melhor expressam esse estado de alma são a antítese e o paradoxo;

"Nasce o sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a Luz, porque não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

Começa o Mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância."

(Gregório de Matos)

O tema da fugacidade do tempo, da incerteza da vida, é desenvolvido por meio de um jogo de imagens e idéias que se contrapõem, num sistema de oposições: nasce x não dura; luz x noite escura; tristes sombras x formosura; acaba x nascia.

O espírito Barroco é cabalmente expresso no célebre dilema do 3º ato de Hamlet, de Shakespeare: "To be or not to be, that is the question". ("Ser ou não ser, eis a questão...")


Temas contraditórios: Há o gosto pela confrontação violenta de temas opostos; Efemeridade do tempo e carpe diem: O homem barroco tem consciência de que a vida terrena é efêmera, passageira, e por isso, é preciso pensar na salvação espiritual. Mas já que a vida é passageira, sente, ao mesmo tempo, desejo de gozá-la antes que acabe, o que resulta num sentimento contraditório, já que gozar a vida implica pecar, e se há pecado, não há salvação.

"...Gozai, gozai da flor da formosura,

Antes que o frio da madura idade

Tronco deixe despido, o que é verdura..."

"Lembra-te Deus, que és pós para humilha-te,

E como o teu baixel sempre fraqueja,

Nos mares da vaidade, onde peleja,

Te põe a vista a terra, onde salvar-te..."

Podemos notar dois estilos no barroco literário: o Cultismo e o Conceptismo.


Cultismo: é caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora; daí o estilo ser também conhecido como Gongorismo.

O aspecto exterior imediatamente visível no Cultismo ou Gongorismo é o abuso no emprego de figuras de linguagem como as metáforas, antítese, hipérboles, hipérbatos, anáforas, paronomásias, etc...

"O todo sem a parte não é o todo;

A parte sem o todo não é parte;

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga que é parte, sendo o todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,

E todo assiste inteiro em qualquer parte,

E feito em partes todo em toda a parte,

Em qualquer parte sempre fica todo."

(Gregório de Matos)

Conceptismo

É marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais cultores do conceptismo foi o espanhol Quevedo, de onde deriva o termo Quevedismo.
Os Conceptistas pesquisavam a essência íntima dos objetos, buscando saber o que são, visando à apreensão da face oculta, apenas acessível ao pensamento, ou seja, ao conceitos; assim a inteligência, a lógica e o raciocínio ocupam o lugar dos sentidos, impondo a concisão e a ordem, onde reinavam a exuberância e o exagero. Assim, é usual a presença de elementos da lógica formal, como:

O SILOGISMO: Dedução formal tal que, postas duas proposições, chamadas premissas, delas se tira uma terceira, nelas logicamente implicada, chamada conclusão. Assim, temos como exemplo: Todo homem é mortal (premissa maior); ora, eu sou homem (premissa menor); logo, eu sou mortal (conclusão).

Observe a construção dos tercetos finais de um soneto sacro de Gregório de Matos que, referindo-se ao amor de Cristo diz:

"Mui grande é o vosso amor e o meu delito;

Porém pode ter fim todo o pecar,

E não o vosso amor, que é infinito.

Essa razão me obriga a confiar

Que, por mais que pequei, neste conflito

Espero em vosso amor de me salvar."
Estes versos encobrem a formulação silogística, como segue:

Premissa maior: O amor infinito de Cristo salva o pecador. Premissa menor: Eu sou um pecador. Conclusão: Logo, eu espero salvar-me.

O SOFISMA

É o argumento que parte de premissas verdadeiras e que chega a uma conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como resultante de regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado. É um raciocínio falso, elaborado com a função de enganar.

Muitas nações são capazes de governarem-se por si mesmas; as nações capazes de governarem-se por si mesma não devem submeter-se às leis de um governo despótico. Logo, nenhuma nação deve submeter-se às leis de um governo despótico.

Cultismo e Conceptismo são dois aspectos do Barroco que não se separam; antes, superpõem-se como as duas faces de uma mesma moeda. Às vezes, o autor trabalha ao nível de palavra, da imagem; busca mais argumento, o conceito. Nada impede que o mesmo texto tenha, simultaneamente, aspectos Cultistas e Conceptistas. Com os riscos inerentes às generalizações abusivas, diz-se, didaticamente, que o Cultismo é predominante na poesia e o Conceptismo, predominante na prosa.

Barroco – Origens da Cultura Brasileira
O nosso primeiro e decisivo estilo artístico e literário foi o Barroco
.

É contemporâneo dos alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da formação da família patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tríptico monocultura-latifúndio-trabalho escravo, bem como dos primórdios da educação brasileira, nos colégios jesuíticos. Daí sua importância, e daí, também, as projeções que esse período subsequentes, até os nossos dias.


O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.
Para isso contribuíram, decisivamente, os seguintes fatos:

A Espanha foi potência hegemônica no séc. XVII, transformando-se no centro da Contra-Reforma e na sede da Companhia de Jesus, a ordem religiosa mais atuante no período;

Em 1580, ocorre a união das coroas ibéricas, e Portugal, incluindo as suas colônias ultramarinas, fica até 1640 sob domínio espanhol (domínio filipino); Com isso, a mentalidade católica espanhola, revigorada pelo Concílio de Trento (1545 a 1563), atuou fundamentalmente em Portugal, especialmente pelo fortalecimento da Santa Inquisição, já estabelecida definitivamente desde 1540;

Paralelamente, houve o extraordinário fortalecimento da Compainha de Jesus ou Jesuítas, mentores intelectuais e guardiões do espírito contra-reformista. Foram exatamente esses padres, os primeiros educadores que tivemos, que transplantaram para o Brasil a formação Ibérico-jesuítica e o gosto artístico vigente na Europa;

O ensino ministrado em Portugal e nos colégios jesuíticos brasileiros era profundamente verbal. Um de seus principais objetivos era o de adestrar os estudantes no desempenho lingüístico, de tal modo que tivessem facilidade verbal de defender ou "provar" as verdades dogmáticas da Igreja. Não havia estímulo ao espírito crítico, nem a nenhum tipo de investigação intelectual pessoal.


Nasceu daí o gosto, ainda vigente entre nossa elite, pelo estilo pomposo, retórico, pelo jogo de palavras, tão comum entre nossos tribunos e políticos, perpetuando na opulência verbal de Rui Barbosa, Coelho Neto e Euclides da Cunha, para ficarmos em apenas três desdobramentos mais recentes do estilo Barroco.
Os limites cronológicos do Barroco no Brasil são:

INÍCIO: 1601 – com PROSOPOPÉIA, poema épico de autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós.

TÉRMINO: 1768 – com a publicação das OBRAS POÉTICAS de CLAÚDIO MANUEL DA COSTA, obra inicial do Arcadismo no Brasil.
Representantes
Padre Antônio Vieira

Vieira nasceu em Lisboa, em 1608. Com sete anos vem para a Bahia; em 1623 entra para a Companhia de Jesus. Quando Portugal se liberta da Espanha (1640), retorna à terra natal, saudando o rei D. João IV, de quem se tornaria confessor. Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã, por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos; os pequenos comerciantes, por defender um monopólio comercial; os administradores e colonos, por defender os índios. Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custam a Vieira uma condenação pela Inquisição: fica preso de 1665 a 1667. Falece em 1697, no Colégio da Bahia.
Podemos dividir sua obra em:

Profecias
Constam de três obras:


* História do futuro
* Esperanças de Portugal
* Clavis prophetarum

Em que se notam Sebastianismo e as esperanças de Portugal se tornar o Quinto Império do Mundo, pois tal fato estaria escrito na Bíblia.
Cartas
São cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos-novos.

Sermões
São quase 200 sermões.

De estilo barroco conceptista o pregador português joga com asa idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos da retórica dos jesuítas. Um de seus principais sermões é o Sermão da sexagésima (ou A palavra de Deus), pregado na Capela Real de Lisboa em 1655.

"... Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregdores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte está branco, da outra há de estar negro; se de um parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta, que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário? ..."

(Fragmento do Sermão da Sexagésima do Padre Antônio Vieira)

Dentre sua obras mais conhecidas, destacam-se ainda: Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e o Sermão de Santo Antônio.

Antigo interior da igreja de Nossa Senhora da Ajuda (Salvador, Bahia), onde vieira proferiu seu Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as Holandas.

Padre Manuel Bernades

Orador sacro português. Nasceu em 1644. Um dos maiores clássicos da língua.

Obras

Luz e Calor, Nova Floresta etc. Morreu em 1710.

Gregório de Matos

O escritor Gregório de Matos Guerra, nascido na Bahia, provavelmente a 20 de dezembro de 1633, Gregório de Matos firma-se como o primeiro poeta brasileiro. Após os primeiros estudos no Colégio de Jesuítas, vai para Coimbra, onde se gradua em Direito. Formado, vive alguns anos em Lisboa exercendo a profissão; por sua sátiras, é obrigado a retornar à Bahia. Em sua terra natal, é convidado a trabalhar com o jesuítas no cargo de tesoureiro-mor da Companhia de Jesus. Ainda por sua sátiras, abandona os padres e é degredado para Angola; já bastante doente volta ao Brasil, mas sob duas condições: estava proibido de pisar em terras baianas e de apresentar sua sátiras. Morreu em Recife, no ano de 1696.

Apesar de ser conhecido como poeta satírico – daí o apelido "Boca do Inferno" –, Gregório também praticou, e com esmero, a poesia religiosa e a lírica. Cultivou tanto o estilo cultista como o conceptista, apresentando jogo de palavras ao lado de raciocínios sutis, sempre como o uso abusivo de linguagem.

Sua obra permaneceu inédita até o século XX, quando a Academia Brasileira de Letras, entre 1923 e 1933, publicou seis volumes, assim distribuídos: I. Poesia sacra; II. Poesia lírica; III. Poesia graciosa; IV e V. Poesia satírica; e VI. Últimas.

Poeta religioso

Gregório coloca-se diante de Deus, como um pecador, pedindo perdão por seus erros e confiante na misericórdia divina.

"Eu sou, Senhor, Ovelha desgarrada;

cobrais: e não queiras, Pastor Divino,

perder na nossa ovelha a vossa glória."

Poeta satírico

Criticava os letrados, os políticos, a corrupção, o relaxamento dos costumes, a cidade da Bahia, ...

"Que os brasileiros são Bestas,

e estão sempre a trabalhar

toda a vida, por manter

Maganos de Portugal."

Poeta lírico

Seu lirismo amoroso se define pelo erotismo, revelando uma sensualidade ora grosseira, ora de rara fineza. Gregório de Matos foi o primeiro poeta que admirou e glorificou a mulata:

"Minha rica mulatinha

Desvelo e cuidado meu."
Bento Teixeira Pinto (1565 – 1600)


É autor de Prosopopeia, poema épico em decassílabos, dispostos em oitava rima, publicado em 1601. Apesar da deficiência, o texto é visto por alguns críticos como iniciador do Barroco no Brasil. Durante muito tempo pensou-se que fosse natural de Recife, cidade descrita no poema, que narra um naufrágio sofrido por Jorge Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco. Hoje se admite que teria nascido em Portugal, embora tivesse morado a maior parte da vida no Recife.

Manoel Botelho de Oliveira

O primeiro escritor nascido no Brasil a ter um livro publicado, Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) nasceu em uma família afastada de Salvador e estudou Direito em Coimbra. Foi vereador, advogado e agiota.

Escreveu Música do Parnaso, o primeiro livro impresso de autor nascido no Brasil. A sua fama perdurou como autor do poemeto (silva) A Ilha da Maré, apontando como precursor do nativismo pitoresco.
Barroco – As Origens da Cultura Brasileira

O nosso primeiro e decisivo estilo artístico e literário foi o Barroco.


É contemporâneo dos alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da formação da família patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tríptico monocultura-latifúndio-trabalho escravo, bem como dos primórdios da educação brasileira, nos colégios jesuíticos. Daí sua importância, e daí, também, as projeções que esse período subseqüentes, até os nossos dias.

O Barroco é originário da Itália e da Espanha e sua expansão para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse estilo, para a Península Ibérica e América Latina.
Para isso contribuíram, decisivamente, os seguintes fatos:

A Espanha foi potência hegemônica no séc. XVII, transformando-se no centro da Contra-Reforma e na sede da Companhia de Jesus, a ordem religiosa mais atuante no período;

Em 1580, ocorre a união das coroas ibéricas, e Portugal, incluindo as suas colônias ultramarinas, fica até 1640 sob domínio espanhol (domínio filipino); Com isso, a mentalidade católica espanhola, revigorada pelo Concílio de Trento (1545 a 1563), atuou fundamentalmente em Portugal, especialmente pelo fortalecimento da Santa Inquisição, já estabelecida definitivamente desde 1540;

Paralelamente, houve o extraordinário fortalecimento da Compainha de Jesus ou Jesuítas, mentores intelectuais e guardiões do espírito contra-reformista. Foram exatamente esses padres, os primeiros educadores que tivemos, que transplantaram para o Brasil a formação Ibérico-jesuítica e o gosto artístico vigente na Europa;



O ensino ministrado em Portugal e nos colégios jesuíticos brasileiros era profundamente verbal. Um de seus principais objetivos era o de adestrar os estudantes no desempenho lingüístico, de tal modo que tivessem facilidade verbal de defender ou "provar" as verdades dogmáticas da Igreja.

Não havia estímulo ao espírito crítico, nem a nenhum tipo de investigação intelectual pessoal. Nasceu daí o gosto, ainda vigente entre nossa elite, pelo estilo pomposo, retórico, pelo jogo de palavras, tão comum entre nossos tribunos e políticos, perpetuando na opulência verbal de Rui Barbosa, Coelho Neto e Euclides da Cunha, para ficarmos em apenas três desdobramentos mais recentes do estilo Barroco.

Os limites cronológicos do Barroco no Brasil são:

INÍCIO: 1601
Com PROSOPOPÉIA, poema épico de autoria do português, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, propriamente literária, escrita entre nós.

TÉRMINO: 1768
Com a publicação das OBRAS POÉTICAS de CLAÚDIO MANUEL DA COSTA, obra inicial do Arcadismo no Brasil.