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terça-feira, 18 de novembro de 2014

POESIA E VERSIFICAÇÃO

Poesia e Versificação
Professora: Romi M C Martins

Prosa e Poesia
A composição poética pode assumir duas formas: a prosa e a poesia
.Prosa: é a linguagem direta, usual, o veículo comum de comunicação do pensamento. Nela predomina a denotação.
Poesia: é a linguagem subjetiva, emotiva, que representa  um  certo ritmo. Nela há predominância da linguagem figurada, da conotação.
É muito difícil definir poesia. Para a maioria, trata-se de uma criação rítmica e melódica, de conteúdo emotivo e lírico. Portanto, pode existir poesia mesmo num texto em prosa.
Segundo Hênio U.C. Tavares, em seu livro Teoria Literária:
“A poesia pode estar contida numa linguagem versificada ou em prosa. Quando ocorre a segunda oportunidade, dá-se o poema em prosa ou prosa poética. De um modo geral, haverá prosa poética quando ocorrerem as seguintes característica:
a)     Conteúdo lírico ou emotivo;
b)     Recriação lírica da realidade;
c)      Utilização artística do poético;
d)     Linguagem conotativa.
Versificação
Versificação é a arte de fazer versos.
Verso é a unidade rítmica de um poema. Corresponde a uma linda de uma estrofe.
Estrofe é o agrupamento de versos.
Poema é o agrupamento de estrofes ou versos. Pode, também, haver poemas de apenas uma estrofe.
Métrica é a medida do verso (quantidade de sílabas poéticas)
Escansão é a contagem das sílabas poéticas, que diferem das sílabas gramaticais.
As sílabas poéticas ou métricas não se contam da mesma maneira que as sílabas gramaticais.
Observe:
As sílabas gramaticais, formadoras das palavras que usamos na linguagem comum, não são as mesmas que as sílabas métricas (ou poéticas), e por vezes não coincidem.
Veja o exemplo:
Sílabas gramaticais          Mi          nha        ter          ra            tem       pal          mei        ras
Nº de sílabas     1             2             3             4             5             6             7             8
Sílabas métricas               Mi          nha        ter          ra            tem       pal          mei *    ras
Nº de sílabas     1             2             3             4             5             6             7             X
* última sílaba tônica
Como você pôde observar, o número de sílabas métricas e gramaticais não coincidiu. As regras básicas para a contagem de sílabas métricas são:

a)     Só se contam as sílabas até a última sílaba tônica de cada verso.

b)     Havendo encontro de vogais, em palavras diferentes, elas podem fundir-se numa sílaba somente. É o caso da elisão.
Escandir ou fazer a escansão dos versos é indicar suas sílabas métricas e seus acentos. Veja a escansão que fizemos: observe as sílabas tônicas predominantes do verso – 3ª e 7ª – e as elisões que aparecem.
1             2             3             4             5             6             7             8
Em         cis           mar        so           zi             nho a    noi         te
Mais      pra         zer         en          con        tro eu   lá           
Mi          nha        ter          ra            tem       pal          mei        ras
On          de          can         ta o        sa           bi            á            
O número de sílabas métricas em cada verso depende da vontade do poeta. Geralmente vão de uma sílaba (muito raro) até doze sílabas.
Uma sílaba         Monossílabos
Duas sílabas       Dissílabos
Três sílabas        Trissílabos
Quatro sílabas   Tetrassílabos
Cinco sílabas      Pentassílabos ou redondilha menor(com acentos na 2ª e 5ª)
Seis sílabas         Hexassílabos (com acentos na 2ª e 6ª sílabas)
Sete sílabas        Heptassílabos ou redondilha maior(com acentos na 3ª e 5ª)
Oito sílabas        Octossílabos ou sáficos(com acentos na 4ª e 8ª)
Nove sílabas      Eneassílabos ou jâmbicos(com acentos na 3ª, 6ª e 9ª)
Dez sílabas         Decassílabos(com acentos na 6ª e 10ª)
Onze sílabas      Hendecassílabos ou datílicos(com acentos na 2ª, 5ª, 8ª e 11ª)
Doze sílabas       Dodecassílabos ou alexandrinos(com acentos na 6ª e 12ª)
Mais de doze    Bárbaros

E Canção do Exílio, quanto ao número de sílabas métricas, como se classifica?
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá. Gonçalves Dias

Nos versos lidos, você deve ter percebido uma alternância regular e sistemática de sonoridade, obtida pela sucessão de sílabas fracas e fortes. Na prosa, a alternância de sílabas fracas e fortes não é regular. No texto em versos, porém, há ocorrência regular de sílabas fracas(de menor intensidade) e de sílabas fortes(de maior intensidade). Daí surgir o ritmo, a melodia do verso. Os elementos rítmicos e melódicos são fundamentais, tanto para o poeta como para o leitor. Não há poesia sem ritmo. Modernamente, a poesia toma as formas mais variadas. Há textos em prosa que têm poesia, assim como há textos em verso que não são poéticos. A poesia está acima das formas; ela é a expressão da alma humana, como o são outras formas de arte. Um conjunto de versos forma uma estrofe. Por exemplo, Canção do Exílio compõe-se de cinco estrofes. As três primeiras têm 4 versos e as duas últimas, 6 versos. As estrofes, em geral, podem ter de 2 a 10 versos, recebendo a seguinte denominação:
Número de Versos         Designação
2 versos               Dístico
3 versos               Terceto
4 versos               Quadra ou quarteto
5 versos               Quintilha
6 versos               Sextilha
7 versos               Septilha
8 versos               Oitava
9 versos               Nona
10 versos            Décima

Tanto os quartetos, como as sextilhas são formados de versos  heptassílabos ou redondilha maior. Vimos que o ritmo e a melodia dos versos são importantes na poesia. Mas há outro elemento que vem completar o ritmo do verso: é a rima. Rima é a coincidência de sons ao final dos versos. Não é a rima que faz um poema. É todo o conjunto de ritmo e sonoridade, emoção e expressão. Os poetas modernistas nem sempre usam a rima. Seus poemas são em versos brancos. As rimas podem ser classificadas de acordo com:

a)     A coincidência de vogais e consoantes: observe a primeira quadra de Canção do Exílio – sabiá e lá têm sons iguais na sílaba tônica; são versos soantes. Palmeiras e gorjeiam têm sons parecidos (apenas as vogais tônicas EI são iguais); são versos toantes.

b)     A posição do acento tônico: neste caso as rimas podem ser: agudas (as palavras que rimam são oxítonas); graves (as palavras que rimam são paroxítonas); esdrúxulas (as palavras que rimam são proparoxítonas).

c) A distribuição nas estrofes: nesse aspecto, as rimas podem ser: emparelhas (sucedem-se duas a duas); alternadas (o 1º verso rima com o 3º, o 2º com o 4º etc.); cruzadas (o 1º verso rima com o 4º, o 2º com o 3º etc.); encadeadas (o 1º verso rima com o 3º, o 2º com o 4º e o 6º, 5º com o 7º e o 9º, e assim sucessivamente).
Marcadores: literatura métrica poesia e versificação prosa verso


domingo, 16 de novembro de 2014

TREZE CASCAES

Treze Cascaes 
FRANKLIN CASCAES

Treze cascaes é um livro de contos, publicado em 2008 para homenagear o professor Franklin Cascaes no centenário de seu nascimento.
Coletânea de 13 escritores de Santa Catarina, abordando a magia da cultura açoriana, tema que sempre interessou o pesquisador Franklin Cascaes, que durante mais de 30 anos trabalhou para registrar manifestações culturais que estavam desaparecendo da Ilha de Santa Catarina. O tema dos contos envolve histórias míticas em torno de bruxas, herança cultural açoriana.
 Os autores
Autores:
Adolfo Boos Jr. , Amílcar Neves, Eglê Malheiros, Fábio Brüggemann, Flávio José Cardozo, Jair Francisco Hamms, Júlio de Queiroz, Maria da Lourdes Krieger, Olsen Jr. , Péricles Prade, Raul Caldas Filho, Salim Miguel, Silveira de Souza.
Editora: Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes.
 Obra: Contos 13 Cascaes.
A obra que pertence à literatura contemporânea de Santa Catarina e tem seus contos recriados em cima das histórias de "seo Frankolino" (como Cascaes era conhecido na cidade) foi compilado nesse livro por iniciativa de Flávio José Cardoso e Salim Miguel visando além de homenagear o homem de grande importância cultural, também resgatar a cultura e lendas do povo catarinense.
A obra trata-se de um livro constituído por contos, que foram criados por diversos autores para homenagear o professor Franklin Cascaes no centenário de sua morte. Os contos estão relacionados intimamente com o que o professor realizou durante sua vida, ou seja, dedicado à preservação e o resgate da cultura açoriana na ilha.
O livro possui 111 páginas, e está dividido em diversos contos, sendo que cada autor tem o seu próprio “jeitinho” de expressar suas idéias. Os contos têm entre si algo em comum muito forte, a magia da cultura açoriana, alguns desses contos nos fazem viajar até as clareiras com as bruxas, as praias, os pontos turísticos da ilha, os barcos cheios de peixe e pescadores e acima de tudo a simplicidade do povo da ilha em seu modo de pensar e agir nas tarefas do cotidiano. O foco narrativo muda de acordo com os contos, ora em primeira pessoa, ora em terceira.
 
Esses contos têm uma condição em comum, em todos eles sempre aparece um personagem de grande importância, o senhor Franklin Cascaes. Nos contos ele representa a figura do grande professor que era e influencia muito no andar do texto.
Por meio do conto os autores contam a trajetória de vida do professor, colocando muita magia nos fatos, como podemos perceber no trecho a seguir, do conto “O Abençoado”:
“...o fruto desse amor há de ser um menino. Esse menino vai aprender a trabalhar com barro e fazer figuras. Muitos presépios e figuras de santos...amiguinhas, somos fadas. Não podemos fazer o bem pela metade. Ele vai também preservar para o futuro as estórias de bruxas e de seus bruxedos, pois é preciso que tudo do passado não se perca. Daqui a nove meses, no dia 16 de outubro do ano que vem, esse menino vai nascer... tomem nota e dêem sua benção também, amiguinhas, no dia 16 de outubro do ano que vem, 1908, esse menininho que vai ser feito esta noite haverá de se chamar Franklin...”
Além da descrição da vida do professor Cascaes, o livro trata de problemas ambientas, do descaso que alguns fazem da cultura açoriana, e trata também de temas simplórios, porém complexos da vida como o amor, a morte e o preconceito. Entretanto, meche com a misticidade do não saber explicar algumas coisa da vida transferindo-as assim, para as bruxas.

Cada conto da obra conta com autor distinto, sendo assim pretendo ser breve com minha citação a eles. Adolfo Boos Jr. é o autor do conto “O presépio”, nascido em Florianópolis, no dia 16 de março de 1931, e publicou seu primeiro livro Teodora & Cia pelo Grupo Sul, em 1957. Amílcar Neves nasceu em Tubarão, SC, em 24 de abril de 1947, e as principais obras de sua autoria são O Insidioso Fato – algumas historinhas cínicas e moralistas (contos, 1979), Dança de Fantasmas (contos de amor) (1984), Movimentos Automáticos (novela, 1988), Relatos de Sonhos e de Lutas (contos, 1991) e Pai sem Computador (novela juvenil, 1993). Eglê Malheiros nasceu em Tubarão-SC, em 3 de julho de 1928, um dos títulos mais importantes de sua careira foi O Preço da Ilusão. Fábio Brüggemann nascido em Lages, em 1962, com Joca Wollf escreveu uma novela, chamada Homem Aranha, 1988. Flávio José Cardozo nasceu em Lauro Müller, em 1938, e seu primeiro livro de contos publicado foi "Singradura" (1970). Jair Francisco Hamms é natural de Florianópolis, uma das suas principais obras foi “Guerra aos Sinônimos”. Júlio de Queiroz nascido na cidade de Alegre, Espírito Santo, em fevereiro de 1926, agora reside em Florianópolis e uma das suas obras mais conhecida é “Umas passageiras, outras crônicas”. Maria da Lourdes Krieger nasceu em Brusque-SC, sua primeira obra publicada foi “Uma família tão comum”. Olsen Jr. nascido em Chapecó – SC. Péricles Prade nasceu em Timbó - SC ,um dos seus primeiro livros foi “Este interior de serpentes alegres” (1963). Raul Caldas Filho nasceu em São Francisco do Sul – SC, tendo como seu primeiro livro publicado o “Delirante desterro”. Salim Miguel nascido no Líbano, tem vários livros conhecidos, porem um dos mais apreciados pela critica é “Minhas Memórias de Escritores”. Silveira de Souza nasceu em Florianópolis, SC, em 1933, começando cedo na literatura sua primeira obra foi “O mensário Farrapos”. 

ANTROPOFAGIA

Antropofagia

Antropofagia é o ato de consumir uma parte, ou várias partes da totalidade de um ser humano. O sentido etimológico original da palavra "antropófago" (do grego anthropos, "homem" e phagein, "comer") foi sendo substituído pelo uso comum, que designa o caso particular de canibalismo na espécie humana.. Por sua realização em contexto mágico cerimonial ou patológico não deve ser classificada ou compreendida como um hábito alimentar o que não se aplica ao canibalismo na maioria das vezes associado ao comportamento predatório. Observe-se também que muitos autores utilizam esses termos indistintamente.
A prática, conforme afirmam antropólogos e arqueólogos, era encontrada em algumas comunidades ao redor do mundo. Foram encontradas evidências na África, América do Sul, América do Norte, ilhas do Pacífico Sul e nas Caraíbas (ou Antilhas). Na maioria dos casos, consiste num tipo de ritual religioso / mágico como uma forma de prestar seu respeito e desejo de adquirir as suas caraterísticas.
Antropofagia no Brasil em 1557, segundo a descrição de Hans Staden.
Um dos grupos canibais mais famosos são os astecas, que sacrificavam seus prisioneiros de guerra e comiam alguns deles. Eles comiam os prisioneiros de guerra e outras vítimas, numa prática conhecida como exocanibalismo ou exofagia, ou seja, canibalismo praticado em indivíduos de tribos diferentes. O canibalismo que consiste no acto de consumir parte dos corpos de seus parentes e amigos mortos, é chamado de endocanibalismo. (ver verbete específico: Antropofagia na Mesoamérica)
Os poucos casos de canibalismo de humanos registrados na história da sociedade ocidental moderna estão ligados a situações limites, satisfação do instinto de sobrevivência do indivíduo perante uma opção de vida ou morte.

Índice

Ponto de vista legal e social

Em 1846, um grupo de 90 pessoas liderado por George Donner ficou preso em uma nevasca no alto de Serra Nevada, na Califórnia. Os sobreviventes tiveram que comer a carne de seus companheiros mortos para permanecerem vivos. Uma história semelhante ocorreu em 1972. Um avião da Força Aérea do Uruguai, que transportava a Selecção de Rúgbi, despenhou na Cordilheira dos Andes. Apenas 16 pessoas se salvaram. O estoque de alimentos a bordo acabou rapidamente e o único meio encontrado pelo grupo para sobreviver foi recorrer aos corpos dos colegas mortos.
Do modo de vista legal, o canibalismo de humanos, quando não se trata de uma situação limite, enquadra-se como crime de mutilação e profanação de cadáver e um grave desrespeito pela dignidade da pessoa humana. Segundo os valores da sociedade ocidental, é um ato repugnante e imoral.

 Canibalismo humano como ritual

Os líderes tribais das ilhas Fiji comiam a carne de pessoas consideradas especiais em sua comunidade. Para isso, utilizavam talheres próprios, que não podiam ser usados para consumir qualquer outro tipo de "alimento". Os habitantes da Ilha de Páscoa gostavam bastante de carne humana. Os banquetes eram promovidos em lugares isolados e apenas os homens podiam participar. Em 1912, no Haiti (Caraíbas), um grupo de haitianos matou e comeu uma garota de 12 anos em uma cerimônia Voodoo.
No meio do caminho entre o ritual e a sobrevivência está o caso da tribo Fore, da Papua-Nova Guiné. Para compensar as carências de proteínas, passaram a realizar um ritual onde os homens ficavam com os músculos, enquanto as mulheres e crianças, com o cérebro de outros membros da tribo que tinha falecido. O canibalismo foi praticado desde finais do século XIX e durou até a chegada dos colonizadores europeus na década de 1950, mas ainda no final do século XX foi descrito pelo velejador Helio Setti Jr. um caso de uma doença provocada por esta prática, que provocou a disseminação de uma doença localmente denominada kuru, a doença de Creutzfeldt-Jakob clássica. 
Num esboço de classificação dessas praticas tipo sacrificial, segundo Castro,  temos:
  • Canibalismo póstumo: se aproxima ou se incluí nos ritos funerários
  • Canibalismo bélico sociológico classicamente representado pelos ritos de destruição dos inimigos pelos Tupinambás da costa brasileira no séc. XVI.
Para esse autor um possível esquema interpretativo desse tipo de sacrifício, que na concepção de Descola corresponde à práticas animistas, ou seja, a concepção de um cosmos habitado por muitas espécies de seres dotados de intencionalidade e consciência.
A prática do canibalismo nesse sentido equipara-se aos ritos de caça, entendendo esta como uma forma de guerra. Para Castro (o.c.) a caça é uma forma de guerra na perspectiva estabelecida pela mitologia indígena, onde a visão que o homem tem dos animais é equivalente à que os animais de outros animais e do próprio homem. Observe-se que esse xamã sacrificador – vítima (é relativamente comum eliminarem-se xamãs acusados de feitiçaria) tem um papel fundamental nas “declarações” de guerra e existem guerras cuja causa declarada é a vingança ou combate à feitiçaria inimiga

 Antropofagia no Brasil

A antropofagia praticada pelos grupos tribais do Brasil, revertia-se de caráter exclusivamente ritual.
As noticias fornecidas pelos cronistas do século XVI dão conta de sua importância na organização social indígena, como fator indispensável aos ritos de nominação e iniciação. Estas sociedades eram estruturadas em função da guerra, essas tribos desenvolveram uma escala de estratificação social em que a aquisição de status baseava-se fundamentalmente na capacidade de perseguir e matar o maior número possível de inimigos.
O adversário capturado vivo era conduzido à aldeia dos vencedores e ali conservado prisioneiro durante um período no qual todas as honras e privilégios lhe eram concedidos: era designado uma mulher para lhe fazer companhia e os melhores alimentos eram colocados a sua disposição.
Durante vários dias preparavam-se a festa em que o prisioneiro seria executado segundo cerimônia solene. A execução, com violento golpe de borduna, cabia a quem o houvesse capturado, podendo ser por este transferido a alguém merecedor de tal obséquio, em sinal de agradecimento ou homenagem.
Ao prisioneiro competia manter-se altivo e valente, retrucando as provocações e insultos numa demonstração de total indiferença ante o fim próximo. Ao executor, ganhava então direito ao uso de mais um nome, e seu corpo era incisado de modo indelével, para que se perpetuassem a sua coragem e o seu valor. Dessa forma acreditavam que ao comer a carne de um inimigo guerreiro, iriam assim adquir o seu poder e os conhecimentos e as suas qualidades.
Com a vinda dos missionários jesuítas, esses costumes foram fortemente combatidos, por serem incompatíveis com os valores e padrões da sociedade europeia. O costume de comer carne humana foi proscrito e reprimido pela força, com grave dano para um tipo de organização social em que a antropofagia desempenhava relevante função como processo de aquisição de prestígio e ascensão social.
Hoje em dia, a tribo dos Ianomâmis ainda conserva o hábito de comer as cinzas de um amigo morto em sinal de respeito e afeto
 Casos patológicos extremos
Numa perspectiva psicanalítica tal prática está associada aos bizarros comportamentos da psicose e perversão sádico - psicopática. Freud referiu-se algumas vezes à essa manifestação patogência inclusive co-denominando a fase oral por fase canibalesca enquanto um conjuntos (complexos) de pulsões.  Em sua avaliação do processo civilizatório situa o canibalismo como um comportamento possivelmente controlado ao lado dos desejos instintuais do incesto e da ânsia de matar, os desejos inconscientes que ameaçam o indivíduo e a civilização e que todos parecem unânimes em repudiar.  Apesar de sua esperança eventualmente se registram ocorrências de tal manifestação patológica. A saber:
O alemão Fritz Haarmann, conhecido como o vampiro de Hannover, foi condenado em 1924 pelo assassinato de 30 garotos. Ele fazia salsicha da carne dos meninos, não somente para consumo próprio, como também para venda.
No passado, alguns casos famosos de canibalismo foram também associados a um contexto sexual. Por exemplo, nos EUA, durante a década de 1920, Albert Fish estuprou, matou e devorou várias crianças, alegando ter tido um grande prazer sexual resultante de seus atos. O russo Andrei Chikatilo, que matou pelo menos 53 pessoas entre 1978 e 1990, também era praticante do canibalismo com conotações sexuais.
Em 2002, a polícia alemã encontrou na casa de Armin Meiwes, técnico de informática residente em Rotenburgo, em Hessen, pedaços de um corpo humano no frigorífico. Tratava-se de Bernd-Jürgen Brandes, de 43 anos, que o procurara em resposta a um anúncio colocado por Meiwes na internet procurando por "jovens corpulentos entre 18 e 30 anos para abate". Além de matá-lo, Meiwes cortou seu pênis e comeu-o flambado. Meiwes contou à polícia que Brandes concordou que partes de seu corpo fossem cortadas e cozidas. Depois de terem comido juntos, Brandes teria concordado em ser morto. 

Cultura popular

Talvez o ícone contemporâneo mais forte acerca do canibalismo seja o personagem principal dos filmes Hannibal, Dragão Vermelho e O Silêncio dos Inocentes. Este personagem se chama Hannibal Lecter, interpretado por Anthony Hopkins (seu maior fetiche com carne humana era fígado com favas e vinho chianti). o Português chulo tem na palavra comer o significado de: possuir sexualmente; copular com; papar, traçar, faturar  o que de certo modo vem reforçar a concepção psicanalítica de aspectos eróticos associados à nutrição infantil em fase precoce de seu desenvolvimento.

A antropofagia no Brasil se constituiu como inspiração para um movimento artístico na primeira metade do século 20 denominado movimento antropofágico (ver: Manifesto Antropófago).

sábado, 15 de novembro de 2014

Crônica: Quantas Fraquezas




 Crônica: Quantas Fraquezas!
Autora: Romi Mari

Não conheço as histórias de sua infância, adolescência, e juventude, dores e repulsas.

Não sou a  caixa-preta, que guarda com segurança, seu diário, seu esconderijo, este baú é seu, e só a ti pertence.

Posso errar minha caligrafia, posso escrever minha biografia, listar o meus medos, minhas angustia e temores e contá-los todos ao pai celestial que você chama de “braço ou Perna” que só eu tenho certeza, quando faço minha oração, de ser ouvida, tanto quanto me recordo das lições da minha  cartilha escolar da 4ª série, recordá-la da capa de bichinhos coloridos da cartilha Alegria de Saber.

Você não escondeu nada, suas loucuras, idiotices, todas expôs, nenhuma pergunta e tantas respostas. Nenhuma chave para a minha curiosidade.

Nunca se revelou tanto para outra pessoa. Expôs a quem nada pediu, xingou, a quem não conheceu, tais gafes e tais covardias permitidas à adolescentes inexperientes, destinado à estudantes sentados diante de mim no cotidiano escolar.

Confidenciou-me a rejeição amorosa, o rancor profissional, o abandono de Deus nas horas de solidão, aquilo que seu pai proferiu e que o magoou fundo, aquilo que sua mãe omitiu e lembras a dor que feriu fundo na alma.

Não tem vacina contra mim! Recuou! Baixou a Guarda! Depôs a mínima resistência! E disse Eu Venci:

Escolheu-me? Para confidenciar tuas fraquezas, é porque  viu algo que devo ter o dobro de tato, para falar contigo, o triplo de responsabilidade. Qualquer um conta com o direito de falhar, qualquer um desfruta da possibilidade de errar, menos eu. Sou o que realmente estudou seus pontos fracos e o lugar de suas veias.

Perdi a desculpa do incidente, a vantagem do lapso.

Sou a mais perigosa, portanto tenho a obrigação de defender-me, sim, mas antes de tudo, de tudo o que ouvi “li” a seu respeito não posso empregar para agredi-lo. Afinal, me tornaria semelhante, Cada desabafo que me confiou não serve para nada, a não ser para perdoá-lo.

A amizade, não tem finalidade doméstica, nem serventia para fofoca, é uma amnésia alegre: escuto, sorrio e consolo.

Não ouso soprar verdades, não sou dona da verdade, meu coração, é arquivo protegido.

Quem ama mergulha em hipnose regressiva, firmamos um código de quietude e cumplicidade, de zelo e compromisso.

Intimidade é um conteúdo perigoso, tóxico, explosivo. Por isso mantenho distância, Há amizades que esquecem que estão levando a valiosa carga e transformam a catarse em tortura psicológica, em chantagem emocional, em sequestro emocional, este não permito.

Suas confidências morrem comigo ou eu vou morrer nelas. Não podem retornar numa briga.Porque agora sim, estás bloqueado no face. Que eu morda a língua, queime a boca, mas não use jamais seus segredos. Aquilo que você me disse não é para ser devolvido. Todo o segredo é um sino sem pêndulo.

Não importa o que faça ou as razões da raiva, é covardia distorcer suas palavras.

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  • Profª Romi Mari 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Hamlet - O princepe da Dinamarca

Hamlet



O ator americano Edwin Booth como Hamlet em 1870, durante o monólogo Ser, ou não ser, eis a questão.
Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.
Apesar da enorme investigação que se faz acerca do texto, o ano exato em que Shakespeare escreveu-o permanece em debate. Três primeiras versões da peça sobrevivem aos nossos dias: essas são conhecidas como o Primeiro Quarto (Q1), o Segundo Quarto (Q2) e o First Folio (F1).Cada uma dessas possui linhas ou mesmo cenas que estão ausentes nas outras. Acredita-se que Shakespeare escreveu Hamlet baseado na lenda de Amleto, preservada no século XIII pelo cronista Saxo Grammaticus em seu Gesta Danorum e, mais tarde, retomada por François de Belleforest no século XVI, e numa suposta peça do teatro isabelino conhecida hoje como Ur-Hamlet.
Dada a estrutura dramática e a profundidade de caracterização, Hamlet pode ser analisada, interpretada e debatida por diversas perspectivas. Por exemplo, os estudiosos têm se intrigado ao longo dos séculos sobre a hesitação de Hamlet em matar seu tio. Alguns encaram o ato como uma técnica de prolongar a ação do enredo, mas outros a vêem como o resultado da pressão exercida pelas complexas questões éticas e filosóficas que cercam o assassinato a sangue-frio, resultado de uma vingança calculada e um desejo frustrado. Mais recentemente, críticos psicanalísticos têm examinado a mente inconsciente de Hamlet, enquanto críticos feministas reavaliam e reabilitam o caráter de personagens como Ofélia e Gertrudes.
Hamlet é a peça mais longa de Shakespeare, e provavelmente a que mais trabalho lhe deu,mas encontrou nos tempos um espaço que a consagrou como uma da mais poderosas e influentes tragédias em língua inglesa: durante o tempo de vida de Shakespeare, a peça estava entre uma das mais populares da Inglaterra e ainda figura entre os textos mais realizados do mundo, no topo, inclusive, da lista da Royal Shakespeare Company desde 1879. Escrita para o Lord Chamberlain's Men, calcula-se que sobre Hamlet já se escreveram cerca de 80.000 volumes, muitos deles certamente são obras de grandes nomes que foram influenciados pela tragédia shakespeariana, como Machado e Goethe e Dickens e Joyce, além de ser considerada por muitos críticos e artistas de todo o planeta como uma obra rica, aberta, universal e muitas vezes perfeita.

  •  
O protagonista de Hamlet é o Príncipe Hamlet de Dinamarca, filho do recentemente morto Rei Hamlet e sobrinho do Rei Cláudio, irmão e sucessor de seu pai. Após a morte do Rei Hamlet, Cláudio casa-se apressadamente com a então viúva Gertrudes, mãe do príncipe. Num plano de fundo, a Dinamarca está em disputa com a vizinha Noruega, e existe a expectativa de uma suposta invasão liderada pelo príncipe norueguês Fórtinbras.

Horácio, Hamlet, e o Fantasma (Artista: Henry Fuseli 1798)
A peça abre numa noite fria do Castelo de Elsinore, o Castelo Real Dinamarquês. Os sentinelas tentam convencer Horácio, amigo do Príncipe Hamlet, que eles têm visto o fantasma do rei morto, quando ele aparece novamente. Depois do encontro de Horácio com o Fantasma, Hamlet resolve vê-lo com seus próprios olhos. À noite, o Fantasma aparece para Hamlet. O espectro diz a Hamlet que é o espírito de seu pai morto, e revela que Cláudio o matou com um frasco venenoso, despejando o líquido em seus ouvidos. O Fantasma pede que Hamlet vingue sua morte; Hamlet concorda, com pena do espectro, decidindo fingir-se de louco para não levantar suspeitas. Ele, contudo, duvida da personalidade do fantasma. Ocupados com os assuntos do estado, Cláudio e Gertrudes tentam evitar a invasão de Fórtinbras. Um tanto preocupados com o comportamento solitário e errático de Hamlet, acrescido de seu luto profundo diante da morte do pai, eles convidam dois amigos do príncipe - Rosencrantz e Guildenstern - para descobrirem a causa da mudança de comportamento de Hamlet. Hamlet recebe os companheiros calorosamente, todavia logo discerne que eles estão contra ele.
Polônio é o conselheiro-chefe de Cláudio; seu filho, Laertes, está indo de viagem à França, enquanto sua irmã, Ofélia é cortejada por Hamlet. Nem Polônio nem Laertes acreditam que Hamlet nutra desejos sinceros com Ofélia, e ambos alertam para ela esquecê-lo. Pouco depois, Ofélia fica alarmada pelo comportamento estranho de Hamlet e confessa ao pai que o príncipe irá ter com ela num dos aposentos do castelo, mas olha fixamente para ela e nada se diz. Polônio assume que o "êxtase do amor" é o responsável pela loucura de Hamlet, e informa isso a Cláudio e Gertrudes. Mais tarde, Hamlet discute com Ofélia e insiste para que ela vá "a um convento".

O desmascaramento de Cláudio é atingido através de um recurso singular: o teatro no teatro.(Artista: Maclise)
Hamlet continua sem saber se o espírito lhe contou a verdade, mas a chegada de uma trupe artística em Elsinore apresenta-se como uma solução para a dúvida. Ele vai montar uma peça, encenando o assassinato do pai - assim como o espectro lhe relatou - e determinar, com a ajuda de Horácio, a culpa ou a inocência de Cláudio, estudando sua reação. Toda a corte é convocada para assistir o espetáculo; Hamlet fornece comentários durante toda a encenação. Quando a cena do assassinato é realizada, Cláudio, "muito pálido, ergue-se cambaleante", ato que Hamlet interpreta como prova de sua culpabilidade. O rei, temendo pela própria vida, bane Hamlet à Inglaterra em um pretexto, vigiado por Rosencrantz e Guildenstern, com uma carta que manda o portador ser assassinado.
Gertrudes, "em grandíssima aflição de espírito", chama o filho em sua câmara e pede uma explicação sensata sobre a conduta que resultou no mal-estar do rei. Durante o caminho, Hamlet encontra-se com Cláudio rezando, distraído. Hamlet hesita em matá-lo, pois raciocina que enviaria o rei ao céu, por ele estar orando. No quarto da rainha, têm um debate fervoroso. Polônio, que espia tudo atrás da tapeçaria, faz um barulho; Hamlet, acreditando ser Cláudio, dá uma estocada através do arrás e descobre Polônio morto. O Fantasma aparece, dizendo que Hamlet deve acolher sua mãe suavemente, embora volte a pedir vingança.

Hamlet





Temática e interpretação

"Cada posição crítica aponta para uma faceta de um todo e, juntas, possibilitam uma apreciação global. Não se pode analisar Hamlet a partir de um ponto de vista estritamente psicológico, ou político, ou ético, ou social, porque todos eles são válidos, as abordagens são múltiplas e os problemas contidos na peça são complexos e universais."

O poeta e tradutor brasileiro Péricles Eugênio da Silva Ramos considerou a peça — em sua tradução de Hamlet — como "[uma] obra rica, [que] permite as mais diversas interpretações e as apreciações mais extremadas. De fato, desde a realização de Hamlet, há mais de quatro séculos, Shakespeare conseguiu produzir uma obra que abriu diversas discussões em torno de seu enredo e de suas personagens, onde alguns a consideram como indestrutível e, além disso, fundamental para a compreensão do ser humano. Hamlet adequou-se em ramos e áreas humanas com abrangência inédita para uma obra teatral, sendo estudada sob as óticas da ideologia, simbologia, hermenêutica, sociologia, etc.
O prestígio inicial de Hamlet deu-se no século XIX com o advindo do Romantismo — período que presenciou a origem de estudos mais profundos e mais sérios acerca das obras de Shakespeare — e a popularidade da peça lhe ajudou a entrar no século XX (que lhe doou as compreensões mais abrangentes e as mais tradicionais) com ainda mais vigor, permitindo a ela dar novas roupagens e também contribuições de novos elementos aos variados mecanismos que o século passado se preocupou em criar ou em desenvolver.Portanto, não é de se espantar que a peça adquiriu um grande histórico no que diz respeito a suas interpretações, que foram feitas por grandes nomes da literatura, da ciência e da filosofia, abrangendo desde a religião até a psicanálise, como mostraremos a seguir:

Religião

Hamlet

A misteriosa morte de Ofélia (Detalhe de Millais, 1852): abre-se um tema religioso quando os coveiros discutem se ela merece enterro cristão por ter se suicidado.
Escrita numa época de turbulência religiosa, e no despertar da Reforma Inglesa, Hamlet é alternadamente Católica (ou supersticiosamente medieval) e Protestante (ou conscientemente moderna): o fantasma do Rei Hamlet diz que está no purgatório e morrendo sem últimos sacramentos. Isso e a cerimônia fúnebre de Ofélia, que é caracteristicamente católica, perfazem a maior parte da conexão do Catolicismo com o enredo da peça. Certos estudiosos têm observado que as tragédias de vingança surgem em países tradicionalmente católicos, como a Espanha e a Itália; e, no entanto, isso é um paradoxo, visto que a doutrina católica prega o dever para com a família e com Deus. O dilema de Hamlet, então, é se vingar de seu pai matando Cláudio, ou deixar a vingança nas mãos de Deus, como exige sua religião.
Grande parte do Protestantismo de Hamlet resulta provavelmente em sua localização na Dinamarca – que era desde o tempo de Shakespeare predominantemente um país protestante, embora não esteja claro se a localização ficcional da peça nesse país esteja realmente destinada a esse fato. A obra faz menção a Wittenberg, onde Hamlet, Horácio e Rosencrantz e Guildenstern frequentaram universidades, e em que Martinho Lutero pregou pela primeira vez suas 95 teses. Quando Hamlet diz que "há uma iniludível providência na queda de um pardal." ele reflete a ideia protestante de que a vontade de Deus – Divina Providência – controla até mesmo o menor evento.Diferentemente, no  a mesma passagem aparece da seguinte forma: "Há uma providência predestinada na queda de um pardal.", o que sugere uma ligação ainda mais forte com o protestante João Calvino, através da doutrina da predestinação. Certos estudiosos estimam que essa passagem tenha sido censurada, pois só aparece em .

Escola literária ou movimento literário



Escola literária ou movimento literário é o nome dado a todos os acontecimentos históricos envolvendo a literatura desde a invenção da escrita até os dias atuais.
Os movimentos podem ser divididos da seguinte forma: Trovadorismo, Humanismo, Renascimento, Classicismo, Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pré-Modernismo, Modernismo e Tendências Contemporâneas.

Índice

                    2 Humanismo e Renascimento

 Trovadorismo

A religião, na Provença, desenvolvia-se em mosteiros, que foram verdadeiros centros de cultura artística. Tudo o que se produzia na Idade Média estava relacionado aos textos sagrados e ao cristianismo. A Igreja era o centro do poder naquela época e fica bem mais fácil a compreensão desse movimento assistindo ao filme O Nome da Rosa. A Igreja só começa a perder sua força no movimento denominado Arcadismo que ocorreria muito tempo depois na segunda metade do século XVIII. O trovadorismo inicia no século V mas explode nos séculos XII e XIV com diversas cantigas e com poetas trovadores e principalmente quando ocorre a evolução da língua portuguesa que com a mesma força que tinham para amar e escrever diversas poesias, faziam diversas críticas.

Cantiga de amor

Eu lírico masculino. Ausência do paralelismo de par de estrofes e do leixa-pren. Predomínio das idéias. Assunto Principal: o sofrimento amoroso do eu-lírico perante uma mulher idealizada e distante. Amor cortês; convencionalismo amoroso. Ambientação aristocrática das cortes. Forte influência provença. Amor impossível e platônico devido a posição social da mulher ser melhor que a do trovador apaixonado. Vassalagem amorosa "o eu lírico usa o pronome de tratamento "senhor".

 Cantiga de amigo
Eu lírico feminino. Presença de paralelismos. Predomínio da musicalidade, por esse motivo apresenta refrão. Assunto Principal: o lamento da moça cujo namorado partiu. Amor natural e espontâneo. Ambientação popular rural ou urbana. Influência da tradição oral ibérica. Amor possível. Deus é o elemento mais importante do poema. Pouca subjetividade. É mais popular.

Cantiga de escárnio

Na cantiga de escárnio, o eu-lírico faz uma sátira a alguma pessoa. Essa sátira era indireta, cheia de duplos sentidos. As cantigas de escárnio definem-se, pois, como sendo aquelas feitas pelos trovadores para dizer mal de alguém, por meio de ambiguidades, trocadilhos e jogos semânticos, num processo que os trovadores chamavam "equívoco". O cômico que caracteriza essas cantigas é predominantemente verbal, dependente, portanto, do emprego de recursos retóricos. A cantiga de escárnio exigindo unicamente a alusão indireta e velada, para que o destinatário não seja reconhecido, estimula a imaginação do poeta e sugere-lhe uma expressão irônica, embora, por vezes, bastante mordaz.
 Cantiga de maldizer
Ao contrário da cantiga de escárnio, a cantiga de maldizer traz uma sátira direta e sem duplos sentidos. É comum a agressão verbal à pessoa satirizada, e muitas vezes, são utilizados até palavrões. O nome da pessoa satirizada pode ou não pode ser revelada.

 Humanismo e Renascimento

  • A escola literária chamada Humanismo,surgiu bem no final da Idade Média. Ainda podemos ressaltar as prosas doutrinárias, dirigidas à nobreza. Já as poesias, que eram cultivadas por fidalgos, utilizavam o verso de sete sílabas e o de cinco sílabas. Podemos destacar João Ruiz de Castelo Branco como importante autor de poesias palacianas.
  • Renascimento (ou Renascença) é um termo usado para indicar o período da história do mundo ocidental aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII com significativa variação nas datas conforme a região enfocada e o autor consultado, quando diversas transformações em uma multiplicidade de áreas da vida humana assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.
Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antigüidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista. O termo foi registrado pela primeira vez por Giorgio Vasari já no século XVI, mas a noção de Renascimento como hoje o entendemos surgiu a partir da publicação do livro de Jacob Burckhardt A cultura do Renascimento na Itália (1867), onde ele definia o período como uma época de "descoberta do mundo e do homem".
Apesar do grande prestígio que o Renascimento ainda guarda entre os críticos e o público, historiadores modernos têm começado a questionar se os tão divulgados avanços merecem ser tomados desta forma.
O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da Itália e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental. A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colônias americanas.

Classicismo

Em Arte, o Classicismo refere-se, geralmente à valorização da Antiguidade Clássica como padrão por excelência do sentido estético, que os classicistas pretendem imitar. A arte classicista procura a pureza formal, o equilíbrio, o rigor - ou, segundo a nomenclatura proposta por Friedrich Nietzsche: pretende ser mais apolínea que dionisíaca.
Alguns historiadores de arte, entre eles Giulio Carlo Argan, alegam que na História da arte concorrem duas grandes forças, constantes e antagônicas: uma delas é o espírito clássico, a outra, o romântico.
As duas grandes manifestações classicistas da Idade Moderna européia são o Renascimento e o Neoclassicismo.
Serve também o termo clássico para designar uma obra ou um autor depositários dos elementos fundadores as do Classicismode determinada corrente artística.

Característisticas do Classicismo
  • Universalismo
  • Racionalismo
  • Antropocentrismo
  • Paganismo
  • Neoplatonismo
  • Referência à cultura grega
  • Haile Selassie decerá ao mundo em 2020
Apuro formal:
  • Soneto (2 Quartetos 2 Tercetos)
  • Versos Com Até 10 Síladas Poéticas (Estilo doce novo & Medida nova)
  • Rimas Bem Trabalhadas

Quinhentismo

O quinhentismo tem esse nome por se passar em 1500 e se resume a todos os acontecimentos históricos vividos no descobrimento do Brasil e a religião que a Igreja queria passar para os índios em forma de sermões. Inclusive o que marca no Quinhentismo é a carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal relatando tudo que se passava no Brasil e suas riquezas. É por isso que o Quinhentismo também é chamado de Literatura Informativa. Porém o Quinhentismo se destaca na Literatura Jesuíta através dos sermões com intenção de catequizar os habitantes brasileiros da época (Índios).
Principais autores

 Barroco

Movimento que tem ínicio na Europa nos séculos XVII e XVIII (primeira métade) e no Brasil tem o seu ínicio em 1601 com a publicação de Prosopopéia, de Bento Teixeira até 1768. E é apoiado pela igreja católica contra o renascimento e a reforma protestante.
Principais autores
          Bento Teixeira
No Arcadismo alguns autores se revoltam com a política e a sátira passa a ser uma das principais características, mas no Arcadismo acontece também o amor platônico como no caso de Claudio Manoel da Costa que em suas poesias, inventou uma musa chamada Nise que na verdade não existia. Já no caso de Tomás Antonio Gonzaga realmente vive um amor impossível com uma mulher casada por não poder tocá-la passa a fazer poesias para ela com o nome de Marília pois ninguém podia saber de quem se tratava.
Principais autores

 Romantismo (poesia)

O Romantismo no Brasil teve como marco fundador a publicação do livro "Suspiros poéticos e saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836, e durou 45 anos terminando em 1881 com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por Machado de Assis. O Romantismo foi sucedido pelo Realismo.

 Primeira geração (indianista)

Gonçalves Dias
  • Nacionalismo
  • Patriotismo
  • Índio como herói
  • Antiestrangeirismo
  • Sentimentalismo
Autores

 Segunda geração (ultrarromântica, mal do século e byronista)

  • Atração pela morte (mal-do-século)
  • Individualismo
  • Pessimismo
  • Escapismo
Autores

 Terceira geração (condoreira)

Por causa do pássaro condor que tem visão ampla sobre todas as coisas
  • Todas as questões sociais
  • Erotismo
  • Abolicionismo
  • Mulher vista com defeitos e qualidades
  • Política
Autores
 Romantismo (prosa)
O Romantismo na prosa ou também conhecido como romance romântico tem básicamente as mesmas características que o romantismo na poesia porém em vez de poesias são feitos livros onde existem alguns segmentos. Como a prosa social-urbana, indianista, regionalista e histórica. Com caráter burguês, epidermico, pouco intelectual e de personagens lineares, saiam nos jornais em fasciculos para agradar à mulher e o estudante burguês( classe dominante na época).
Principais autores

Realismo

O realismo tem que ser analisado a partir de um novo ponto de referência; a Europa vive a segunda fase da revolução industrial e ao mesmo tempo conhece o desenvolvimento do pensamento científico junto com a doutrina filosófica e social.
Augusto Comte, Karl Marx e Charles Darwin são os iniciadores europeus com suas correntes: o Positivismo, Socialismo e Darwinismo. O realismo evidencia fatos e acredita no real sem sentimentos lúdicos e melosos dos românticos e acredita que o homem é psicologicamente formado sem nenhuma interferência natural ou humana
Brasil: Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis (1881)

Principais autores

 Naturalismo

O naturalismo ocorre básicamente na mesma época do realismo; alguns dizem que o naturalismo é apenas uma manifestação do realismo mas as diferenças são bem visíveis.
O naturalismo tenta explicar que o homem é modificado pelo ambiente em que vive e que a natureza influi na razão. Diferente do romance realista que presa a classe social dominante, o romance naturalista presa a comunidade mais pobre. Podemos ver isso claramente ao ler a obra o cortiço de Aluísio de Azevedo
Brasil: O Mulato de Aluísio de Azevedo (1881)

Principais autores
       *   Aluísio Azevedo
Parnasianismo
O Parnasianismo é a forma poética do Realismo.
  • Preciosismo: focaliza-se o detalhe; cada objeto deve singularizar-se, dai as palavras raras e rimas ricas.
  • Objetividade e impessoalidade: O poeta apresenta o fato, a personagem, as coisas como são e acontecem na realidade, sem deformá-los pela sua maneira pessoal de ver, sentir e pensar. Esta posição combate o exagerado subjetivismo romântico.
  • Arte Pela Arte: A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de compromisso, e justifica por sua beleza. Faz referências ao prosáico, e o texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos.
  • Estética/Culto à forma: Como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo, e por vezes, se mostra incapaz para tal. Aspectos importantes para essa estética perfeita são:
  • Rimas Ricas: São evitadas palavras da mesma classe gramatical. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém também muito usada as rimas ABBA.
  • Valorização dos Sonetos: É dada preferência para os sonetos, composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três versos. Revelando, no entanto, a "chave" do texto no último verso.
  • Metrificação Rigorosa: O número de sílabas poéticas deve ser o mesmo em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas(versos alexandrinos), os mais utilizados no período. Ou apresentar uma simetria constante, exemplo: primeiro verso de dez sílabas, segundo de seis sílabas, terceiro de dez sílabas, quarto com seis sílabas, etc.
  • Descritivismo: Grande parte da poesia parnasiana é baseada em objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem detalhada como "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego" de Alberto de Oliveira.
  • Temática Greco-Romana: A estética é muito valorizada no Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática abordada pelos parnasianos recupera temas da Antiguidade Clássica, características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na história e até mesmo objetos.
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 Simbolismo

Na Europa, o simbolismo inicia-se na última década do século XIX e avança pelo início do século XX, paralelamente as tendências do pré modernismo. O misticismo, o sonho, a fé e a religião passam a ser valores em busca de novos caminhos
O Simbolismo no Brasil começa com as obras Missal e Broquéis ambos escritas por Cruz e Sousa

Características gerais:
  • Uso de figuras de linguagem (sinestesia e aliteração)
  • Musicalidade (A música acima de tudo)
  • Valorização das manifestações espirituais e metafísicas
  • Rebusca valores românticos
  • Aversão ao que é real
  • Amor ao lúdico e sublime
  • Tenta buscar a essência do ser humano
  • Oposição entre matéria e espírito
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 Pré Modernismo
O pré-modernismo foi um período literário brasileiro, que marca a transição entre o simbolismo e o movimento modernista seguinte. Em Portugal, o pré-modernismo configura o movimento denominado saudosismo.
O termo pré-modernismo parece haver sido criado por Tristão de Athayde, para designar os "escritores contemporâneos do neo-parnasianismo, entre 1910 e 1920". Representa, assim, um período eclético (que possui várias correntes de idéias, sem se fixar a nenhuma delas).
Embora vários autores sejam classificados como pré-modernistas, este não se constituiu num estilo ou escola literária, dado a forte individualidade de suas obras, mas essencialmente eram marcados por duas características comuns:
Conservadorismo - traziam na sua estética os valores parnasianos e naturalistas;
Renovação - demonstravam íntima relação com a realidade brasileira e as tensões vividas pela sociedade do período.
Embora tenham rompido com a temática dos períodos anteriores, esse autores não avançaram o bastante para serem considerados modernos. Notando-se, até, em alguns casos, resistência às novas estéticas.
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 Modernismo


(Cartaz anunciando o último dia da Semana de Arte Moderna)
No Brasil o Modernismo tem data de nascimento: 11 de fevereiro de 1922, com a Semana de arte moderna de 1922. Representou uma verdadeira renovação da linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora e na ruptura com o passado. O evento marcou época ao apresentar novas idéias e conceitos artísticos. A nova poesia através da declamação. A nova música por meio de concertos. A nova arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura. O adjetivo "novo", marcando todas estas manifestações, propunha algo a ser recebido com curiosidade ou interesse. Para os modernistas, simbolizados em Mário de Andrade, a prática da poesia tem que ser (ou tem que ter) uma reflexão consciente dos problemas da linguagem, das suas limitações e possibilidades. Além disso vêem no poeta um sujeito criador consciente do texto literário.
O Modernismo deixou marcas nas gerações seguintes, como se observa, em geral, uma maior liberdade lingüística, a desconstrução literária e o introspectivismo. Estes novos elementos foram muito bem explorados por Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto (um mais lírico, outro mais objetivo, concreto), pelos romancistas de 30, na prosa intimista de Clarice Lispector, pelos tropicalistas que são motivo de inspiração até hoje na produção contemporânea.
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Tendências Contemporâneas

É sempre muito difícil se analisar um cenário teórico fazendo parte dele, sem um distanciamento mínimo de tempo e espaço. Mas podemos apontar algumas tendências contemporâneas da literatura brasileira e consideramos o que se tem produzido nos últimos vinte ou trinta anos, pós-ditadura.
Poesia
Na poesia, os nomes hoje já consagrados são aqueles que, de algum modo, dialogam com essas linhas de força da Semana de 22, um diálogo com a função paradoxal de unificar a variedade da produção contemporânea. O impacto do modernismo de 22, porém, foi tamanho que conseguiu produzir também uma diversidade interna, bifurcando a linhagem modernista em: 1. Uma vertente mais lírica, subjetiva, à Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Drummond; 2. Outra mais experimental, formalista, à Oswald de Andrade, João Cabral, poesia concreta.
A poesia torna-se, ainda, por um lado mais cotidiana quanto à temática (Adélia Prado, Mário Quintana), e por outro instrumento de pressão contra as ditaduras (Glauco Mattoso, tropicalistas
 Prosa
Contemporaneamente o que vemos no romance brasileiro e, de certa forma, também no luso, que volta a dialogar com o Brasil, é o surgimento do que chama-se Geração 90. No Brasil, o grande marco é o romance Subúrbio, de Fernando Bonassi, que deflagaria em 1994 um processo de renovação da prosa urbana (ou, no caso, suburbana), com seu realismo brutal, que trouxe novamente para o centro da cena literária os personagens dos arrabaldes das cidades brasileiras. Cidade de Deus, de Paulo Lins, ficaria célebre pela sua realização cinematográfica.
Outra corrente contemporânea é uma espécie de tópica da condição pós-moderna: a identidade em crise, um extremo do intimismo, que se projeta sobre a estrutura narrativa, cancelando os limites entre o real e o fantasmático, entre o mundo descrito e as distorções interiores de quem o descreve. É o caso de Cristóvão Tezza, João Gilberto Noll, Bernardo Carvalho e Chico Buarque.
Acrescentaria a tais correntes uma espécie de revisão histórica a partir da ficção. Tanto no Brasil (Luiz Antonio de Assis Brasil, Miguel Sanches Neto) quanto em Portugal (Miguel Sousa Tavares) e nos países africanos de língua portuguesa (José Eduardo Agualusa, Mia Couto) aparecem narrativas de formato convencional e que se passam inteiramente no passado, mas não resgatando o passado como forma de contemplação. Atualmente vivemos um momentos barroco, de confusão e crise existencial, um tipo de literatura que está em alta .

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